Guia básico (versão condensada) para o liberalismo neoclássico em 14 frases curtas

Ontem escrevi aqui no blog um texto denominado “Guia básico para o liberalismo neoclássico (versão “forte” do libertarianismo bleeding heart)”, com base no ensaio “Classical Liberalism” de Jason Brennan e John Tomasi.

Levando em conta que muitas vezes precisamos abordar posicionamentos de modo conciso, para esclarecer rapidamente o conjunto de premissas e conclusões que defendemos, resolvi fazer uma versão condensada daquele guia básico (ou seja, fazer um “guia ainda mais básico”) em apenas 14 frases curtas, mas a leitura da versão expandida é recomendada para uma compreensão melhor. Segue abaixo:

1) O comprometimento liberal clássico com liberdades econômicas robustas e o comprometimento liberal de esquerda com justiça social devem ser sustentados conjuntamente em uma abordagem liberal neoclássica (versão forte do libertarianismo bleeding heart, ou de coração mole/ferido).

2) Liberdades econômicas devem ser protegidas da mesma forma ampla e robusta que as liberdades civis e violar liberdades econômicas é desrespeitar a dignidade das pessoas e trata-las injustamente.

3) Liberdade negativa, como ausência de invasão e interferência nas próprias escolhas, e liberdade positiva, como capacidade efetiva para realizar suas escolhas, são ambas importantes e não excludentes entre si.

4) Proteger liberdades negativas é a forma mais eficaz (mas não perfeita) de promover, ao longo do tempo (não automaticamente), liberdade positiva para todos.

5) Capacitar pessoas para o exercício da liberdade não é mais importante que respeitar as escolhas feitas no exercício da liberdade, e a capacitação deve ser buscada, pelo menos na maioria das vezes, sem limitação da liberdade de escolha.

6) Assegurar um resultado é encontrar instituições que produzam o resultado desejado, mas não é necessariamente o governo declarar que o resultado seja uma garantia legal que deva ser realizada.

7) Todos devem ter o suficiente e, ao longo do tempo, possibilidade de ter mais.

8) O problema não é que alguns tenham mais, mas sim que alguns não tenham o suficiente.

9) Justiça social é a ideia de que as instituições da sociedade devam beneficiar, ao longo do tempo, todas as pessoas, principalmente os mais desfavorecidos economicamente.

10) Grande parte dos objetivos sociais pode ser alcançada de forma mais eficaz por intermédio de ordens espontâneas, não planejadas, tal como o sistema de mercado.

11) As regras subjacentes e paralelas ao sistema de livre mercado devem ser projetadas para que, quando essas instituições estejam em vigor, o mercado promova espontaneamente justiça social, com pleno respeito às liberdades econômicas das pessoas.

12) Arranjos institucionais capitalistas, em moldes ideais, preenchem os requisitos teóricos ideais da justiça social.

13) Na prática e historicamente, arranjos institucionais capitalistas têm se saído melhor que suas alternativas.

14) O projeto liberal neoclássico é de uma sociedade com liberdades econômicas robustas para todos, governo limitado, programas de bem-estar social básico financiado pelos impostos e uma preocupação fundamental para com o bem-estar das pessoas mais desfavorecidas.

Referências:

Daqui do blog: “Guia básico para o liberalismo neoclássico (versão “forte” do libertarianismo bleeding heart)” –> https://libertarianismoedarwinismo.wordpress.com/2013/03/30/guia-basico-para-o-liberalismo-neoclassico-versao-forte-do-libertarianismo-bleeding-heart/

BRENNAM, Jason; TOMASI, John. Classical Liberalism. 2011 –> http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:aIq4NcsZhW0J:www.jasonfbrennan.com/BrennanTomasiFINALVERSION.docx+&hl=pt-PT

12 respostas em “Guia básico (versão condensada) para o liberalismo neoclássico em 14 frases curtas

    • Meu nome é Valdenor. Sou acadêmico de Direito, e resolvi criar esse blog para discutir dois temas que me fascinam muito: compreensões naturalistas da natureza humana que sejam contrárias à “tabula rasa” (por isso tem o “não” no título) e posições políticas que defendem a consistência entre liberdade econômica e justiça social, principalmente o libertarianismo bleeding heart, cujas propostas considero excelentes. Vi que você tem um blog com nome parecido, você também aborda a temática de compreensões naturalistas da natureza humana lá?

      • Prezado Valdenor,
        Primeiramente, parabéns pelo blog. A visão darwinista da natureza humana é um tema pelo qual tenho muito interesse. Como viu, tenho um blog chamado tabula rasa, cuja inspiração foi o título do livro do Pinker mesmo. Escrevo uma tese de doutorado sobre as implicações da compreensão evolutiva da moralidade e vi um post seu muito interessante sobre a função evolutiva da ética para Wilson e Nozick. Dê uma olhada lá no blog: http://tabularasa-filosofia.blogspot.com.br/
        Um abraço e vamos nos falando!

      • Obrigado pelo elogio à postagem, em fato, “Sociobiology” do Edward O. Wilson e “Invariances” do Robert Nozick estão sendo livros de cabeceira para mim atualmente, uma vez que minha monografia terá relação com ambos (principalmente o último). A minha monografia também abordará a compreensão evolutiva da moralidade, mas concentrando em certos aspectos da teoria do Direito. Vou acompanhar seu blog! (só não sei como segui-lo usando o wordpress…) Um abraço

      • Irei checar então como seguir! Infelizmente, ainda não tenho produção acadêmica nesse ponto, apenas um artigo que ainda não publiquei tangencia o tratamento naturalista sobre a religião. Mas pretendo produzir mais nessa área para publicação acadêmica formal.
        Um abraço.

      • Fui conferir seu lattes, vejo que seu interesse pelas implicações evolucionárias na filosofia vem desde a graduação. Parabéns! E sucesso na redação da tese do doutorado, é um assunto muito interessante! Até mais

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