Evolução e Acaso – transcrição de discussão que tive com o professor André Coelho -parte 1 de 2

Na presente postagem, que será complementada pela parte 2 (https://libertarianismoedarwinismo.wordpress.com/2013/05/22/evolucao-e-acaso-transcricao-de-discussao-que-tive-com-o-professor-andre-coelho-parte-2-de-2/), transcrevo discussão que tive com o professor André Coelho, na minha linha do tempo no facebook, nos dias 2 de maio à 7 de maio, com postagens ainda nos dias 10 e 11 de maio, sobre o papel do acaso na teoria da evolução darwiniana. Recomendo essa discussão para quem tiver interesse na relação entre acaso e seleção natural.

Primeiro, deixem que eu apresente meu interlocutor: O professor André Coelho é graduado em Direito pela UFPA e mestre em filosofia pela UFSC, atualmente fazendo doutorado em filosofia na UFSC, dono dos blogs “Filósofo Grego”, “André Coelho’s  Philosophy Blog” e “Constitucionalidades Virtuais”, e professor universitário de Filosofia do Direito, Teoria Geral do Estado, História do Direito e Introdução ao Estudo do Direito. As discussões com ele, sobre vários temas, sempre são muito profícuas e devo dizer que ele tem um preparo muito robusto na filosofia, mesmo invejável. Em seu blog “Filósofo Grego”, ele já escreveu defendendo uma radical posição pró-liberdade, no texto “10 Pontos sobre Paternalismo Estatal: Devemos Proteger os Indivíduos contra Si Mesmos?” (vide link nas referências). É verdade que, como libertário, logo insisti que a liberdade econômica deveria ter sido incluída, não apenas a liberdade civil, mas sua atitude foi coerente, porque no início do texto ele vincula sua “explicação ao ponto de vista do liberalismo igualitário”. Mas queria deixar a recomendação de texto, porque este em particular tem muita relação com a defesa da liberdade em meu blog.

Alguns avisos, antes de colocar a transcrição. Irei colocar, ao final de ambas as postagens, as referências dos textos ou citações mencionados ao longo da discussão, inclusive o texto que eu havia criticado do Olavo de Carvalho sobre evolução em uma postagem no facebook e que o professor André Coelho menciona logo de início (mas que, na discussão aqui transcrita, não desempenha nenhum papel). O que foi escrito pelo professor André Coelho estará em negrito e o que foi escrito por mim em letra normal. Segue então a discussão:

[André Coelho, em 02/05/2013]:

EVOLUÇÃO E ACASO: APROFUNDANDO A REFLEXÃO

Valdenor Júnior, aproveitando que o tema foi suscitado pela sua postagem crítica ao Olavo de Carvalho de hoje de manhã, gostaria de lhe propor um pequeno desafio relativo ao papel do acaso na teoria evolucionista, desafio este que para mim, certamente, será uma oportunidade de aprender com alguém que leu mais sobre o assunto (sem ironia socrática nesta observação). Não se trata de defender a ideia do Olavo que você atacou, e sim de formular de outro modo a relação da teoria com o acaso e ver o que você tema dizer a respeito. Então, vejamos.

Uma das ideias principais do evolucionismo darwiniano é que têm maiores chances de sobreviver as espécies que se adaptam melhor aos recursos e desafios do ambiente. Isto enfatiza o elemento da conservação por seleção. Porém, outra ideia importante da mesma teoria é que as espécies sofrem transformações sob pressão das condições do ambiente. Isto enfatiza o elemento da transformação por adaptação. Então, temos, de um lado, conservação por seleção e, de outro, transformação por adaptação. Sendo assim, faço duas observações:

a) Na ideia de conservação por seleção, o acaso parece desempenhar um papel bastante considerável. Afinal, se as condições do ambiente mudam (respondendo apenas a um mecanismo causal, sem nenhum esquema finalístico que o dirija), é apenas por acaso que algumas espécies têm as características apropriadas para se adaptar à mudança e outras, não. Se os alimentos rareiam no chão mas continuam abundantes nas árvores, é apenas por acaso que os animais mais altos e capazes de trepar em árvores têm as habilidades que têm e não sofram fatalmente com a mudança, enquanto é também por acaso que a mudança do ambiente foi esta, e não, por exemplo, a mudança inversa, que teria dado mais chances aos animais mais baixos e capazes de cavar na terra. Veja que, em ambos os casos, “acaso” não quer dizer ausência de processo causal, e sim ausência de um esquema finalístico que justifique que as coisas tenham sido desta forma, e não de outra, em função de algum plano ou meta a ser alcançada. Neste sentido, talvez devêssemos falar não de acaso, mas de contingência. A teoria evolucionista mostra a seleção das espécies como estritamente ligada à pura contingência de processos causais mais ou menos cegos.

b) Na ideia de transformação por adaptação, o acaso – novamente, no sentido de ausência de propósito, no sentido de pura contingência – também parece desempenhar um papel importante. Afinal, até onde sabemos, os seres vivos têm as características que têm principalmente por causa de programações genéticas específicas. Mesmo os efeitos do ambiente são apenas no sentido de que certa característica já contida na programação genética venha a manifestar-se ou não, ou se manifeste em maior ou menor medida, ou nesta ou naquela direção etc. O ambiente, portanto, afeta a programação genética apenas no sentido de selecionar ou modular sua manifestação. Mas o ambiente não é capaz de criar a programação genética adequada para se adaptar a ele, de reverter em favor da adaptação a ele uma programação que era desencontrada com seus recursos e desafios. Esta programação ou existe ou não existe. Se existe, então, sob pressão do ambiente, pode vir a manifestar-se. Se não existe, então, não importa qual seja a pressão do ambiente, ela não tem como se manifestar. Se, quando um ecossistema é coberto pela água dos rios, todos os animais terrestres desenvolvessem guelras e nadadeiras, então, nenhuma espécie jamais seria extinta por alagamentos – o que não é o caso. Faz sentido dizer que, sob pressão do ambiente, certas espécies se transformaram, mas é preciso manter em mente que isto ocorreu ou porque a programação da mudança necessária já estava presente naquela espécie ou porque algum tipo de mutação, não produzida pelo ambiente, e sim pelos mecanismos cegos do crossing over, teve o resultado afortunado de prover a espécie em questão com a característica de que precisava no momento exato em que passou a precisar dela. De qualquer modo, eis novamente o acaso mostrando sua mão sobre o jogo da evolução: se, por um lado, a espécie que se transformou tinha já contida em sua programação genética a mudança necessária, é um mero acaso que fosse assim em vez do contrário; se, por outro lado, a espécie que se transformou sofreu o efeito de uma mutação afortunada, então, novamente, é um mero acaso que as misturas genéticas a tenham favorecido naquele momento em vez de terem seguido o curso em que estavam até então.

Diante disto, minhas perguntas são duas:

1) Se o acaso for definido como ausência de propósito e domínio da contingência, você estaria disposto a admitir que ele desempenha um papel central na teoria evolucionista?

2) Se a teoria evolucionista é capaz de explicar que as espécies que contêm em sua programação ou desenvolvem por mutação as mudanças necessárias se adaptam às mudanças do ambiente e sobrevivem, mas não é capaz de explicar por que algumas espécies contêm as mudanças e sofrem as mutações enquanto outras, não, então, será que ela realmente responde como ocorre a evolução ou ela apenas explica a relação programação-características e a relação características-ambiente sem explicar a ainda misteriosa relação programação-ambiente?

Obs.: Quaisquer que sejam as respostas a estas perguntas, não há dúvida de que o estado atual de nossa teoria evolucionista é a mais avançada explicação de que dispomos sobre o surgimento e desenvolvimento das espécies vivas no mundo. Nenhuma lacuna, limitação, insuficiência ou mesmo equívoco que um dia descubramos nesta teoria adicione nem mesmo um grama a mais de credibilidade às suas rivais científicas ou religiosas. Qualquer que seja a explicação verdadeira sobre aqueles fenômenos, ela é alguma variante ou aperfeiçoamento da teoria evolucionista de que dispomos agora. Portanto, isto aqui não é uma discussão evolucionismo versus criacionismo nem é uma discussão evolucionismo versus antievolucionismo. É, na verdade, uma discussão sobre o sentido e os limites da versão do evolucionismo que temos hoje em dia – apenas isso.

Fico à espera da sua resposta. Como eu disse antes, tenho certeza de que vou aprender bastante a partir do que você me disser.

[Eu, em 4/5/2013]

Professor André Coelho, o desafio é bem interessante e a resposta dele pode esclarecer bastante minha crítica sobre atribuir ao acaso um papel e peso maiores do que realmente feito na teoria evolucionista.

Desde logo, posso dizer que o seu uso conceitual do termo “acaso” não é o mesmo uso que, aproximadamente, é feito quando é usado na linguagem do jargão. Também não é o mesmo uso em termos da problemática teórica que o darwinismo intenciona resolver. Aliás, esses dois pontos estão conectados.

A teoria evolucionista (entendida como “darwinismo” ou “selecionismo”) não tem como diferencial explicar as coisas por intermédio do conceito de “acaso”. Pelo contrário, ela reconhece, como qualquer anti-evolucionista o faria, que os organismos biológicos estão estruturados de uma maneira que não pode surgir por acaso. Nesse uso do termo “acaso”, sua definição não é atrelada à idéia de contingência e de ausência de finalidade dirigida, isso porque: 1º se um órgão é, hipoteticamente, a única maneira de realizar uma função biológica, isso faz com que a existência dele atrelada à realização da função não seja contingente, mas necessária; 2º a presença ou ausência de teleologia na explicação para a origem de um órgão, que não se originou a partir de nada, é algo que deve ser abordado após a constatação de que “ele não poderia ter surgido por acaso”. Então, o que seria esse “acaso”? Acaso é usado de maneira probabilística, como a chance de algo ter ocorrido pela simples probabilidade de que aquilo ocorresse randomicamente. Portanto, dizer que algo se originou por acaso é dizer que a origem daquilo decorre da mera probabilidade daquilo ocorrer, tendo em vista certas condições físico-químicas “simples”, sem nenhuma explicação adicional sendo requerida pela mensuração estatística daquele evento. Ou, melhor dizendo, é aproximadamente isso que eu falei, porque com certeza um especialista no jargão poderia te dar uma definição mais exata do que é “ser causado pela mera probabilidade de acontecer em condições padrão e sem mecanismos adicionais”.

Dessa forma, como se está tentando explicar aquilo que não pode ser explicado por acaso, precisamos de um mecanismo adicional, e este seria a seleção natural. Mas é importante especificar também aqui o que é que definitivamente não pode ser explicado com base em acaso, sorte, etc. John Tooby e Leda Cosmides, em “The Pshychological Foundations of Culture”, no livro “The Adapted Mind” (um clássico da literatura técnica da psicologia evolucionária), trazem uma explicação sobre evolução e adaptação que é bem completa (mas muito do que eles dizem aí pode ser encontrado na divulgação científica do Dawkins e do Pinker também). Eles dizem que a seleção natural é a única maneira conhecida de produzir naturalmente funcionalidade complexamente organizada no design herdado de organismos não domesticados. E a funcionalidade complexa que ocorre naturalmente apenas tem sido documentada em organismos vivos, que se reproduzem.

Eles acrescentam que é verdade que os organismos podem ser sim modificados em relação às suas formas ancestrais por meio de processos “não selecionistas”: eles citam deriva (que muitos conhecem a deriva genética, mas existe também deriva cultural), subproduto do desenvolvimento (developmental), macromutação, hitchhiking (não conheço a tradução, mas é quando um gene toma “carona” no sucesso de outro, com o qual está associado), etc. Contudo, seleção é o único processo que dirige mudança por reter variantes que sejam mais funcionais, e que tem uma tendência sistemática a levar o sistema na direção de arranjos cada vez mais funcionais. Eles ainda esclarecem o ponto em que eu queria chegar com a discussão sobre o acaso: processos não selecionistas podem produzir resultados funcionais somente por sorte, porque o grau de funcionalidade de uma nova modificação não tem nenhum papel nesses processos quanto ao que eles reterão ou eliminarão, e esses processos são chamados de “chance processes” em relação à evolução de complexidade adaptativa. Seria milagroso se uma série desses eventos conseguisse produzir algo como o olho. E, portanto, quem tentasse explicar o surgimento do olho por intermédio de deriva, subproduto, macromutação e hitchhiking é quem estaria explicando que o olho surgiu por acaso, não o darwinista.

Então, vamos às duas modalidades que o senhor esboçou: conservação por seleção e transformação por adaptação. Em ambas, sua concentração está em que os genes estão apenas casualmente no ambiente em que estão para que sejam selecionados. E que, portanto, um elemento de contigência, de acaso, está nas explicações darwinianas. Sim, esse elemento de contingência e acaso está aí, mas ele não traduz-se em nenhum diferencial explicativo. É simplesmente aquilo que qualquer um, mesmo um anti-evolucionista (a não ser que estejamos diante de um criacionismo/determinismo detalhista), teria de aceitar também. Portanto, que um gene modificado surja em um ambiente específico por mutação, crossing over, etc., pode ser tratado como um “fato bruto” a princípio, e a análise darwiniana pode explicar porque não é por acaso que órgãos/organismos funcionais surgem. Mesmo que certas mudanças sejam por acaso (como na deriva genética), mudanças sistematicamente funcionais, complexas, não podem surgir por acaso, requerendo um mecanismo adicional: a seleção natural.

Contudo, nem mesmo o darwinista precisa parar aqui. Vamos falar da mutação que fornece o “material” para a seleção. Mutações seriam “erros de replicação” do material genético. A explicação para as mutações ocorrerem de modo persistente é a seleção natural também. Suponhamos que o material gênico possa ser combinado de “n” maneiras, sendo que uma grande maioria dessas permite erros, mas uma pequena parte não admite erros, e uma pequena parte se combina sempre aleatoriamente. A seleção natural “cortaria” essas possibilidades mais extremas, devido a que ambas seriam extremamente disfuncionais em face de quaisquer padrões de conservação e/ou mudança ambiental. Portanto, o próprio fato de que mutações ocorram por acaso é controlado/limitado pelas pressões seletivas.

Por outro lado, não é nada misterioso que certas programações genéticas estejam nos ambientes “certos”. Um fato que advém de uma observação básica, qual seja, a de que muitos organismos diferentes coexistem no mesmo ambiente, mostra que existem “n” formas diferentes de se adaptar aos ambientes, de extrair energia deles, etc. (claro que há limitações, p. ex. a cadeia alimentar não pode ir além de 4 ou, quando muito, 5 camadas, sob pena de que o consumo energético dos carnívoros que estejam mais além na cadeia não consigam quase nada de energia). Portanto, como em geral as possibilidades não são tão fechadas, e havendo tempo suficiente, mutações favoráveis surgiram, ou ficarão inativas até que surja a oportunidade. No caso de mudanças muito bruscas, o resultado será a extinção de muitas espécies, o que também é de se esperar do fato de que a maioria da variação genética é composta por pequenas mudanças em uma direção ou outra.

[Eu, novamente, em 4/5/2013]

Então, vou responder às suas duas perguntas:

1ª – Se acaso for ausência de propósito e domínio da contigência, ele faz parte da teoria evolucionista em grande medida. Contudo, é de se questionar que a discussão sobre o acaso tenha contraposto acaso como ausência finalística e acaso como ausência de mecanismo causal, sem levar em conta o uso do jargão para “acaso”, que perpassa, aproximadamente, pela idéia de que algo surgirá pela simples probabilidade de que ele surgiria em condições físicas e químicas simples aleatoriamente, sem mecanismos causais adicionais que levem sistematicamente em uma direção ou outra do processo referido. Também é de se questionar o que seria “desempenhar um papel central”: ainda que a contigência e a ausência de teleologia façam parte dos elementos usados na explicação darwiniana, a explicação darwiniana em sentido estrito, isto é, o mecanismo proposto para explicar a mudança evolucionária funcional, não é uma explicação que apele para o acaso, mas, ao contrário, para um mecanismo que sistematicamente leva o processo na direção da mudança mencionada. Não é aleatoriamente que a seleção natural levaria o processo para essa direção, ao contrário do que seria a deriva genética, por exemplo. Então, mesmo que alguns elementos da explicação estejam firmemente ancorados no “acaso”, a proposta explicativa busca afastar o “acaso” como explicação.

2ª A relação programação-ambiente não é misteriosa. E a questão se deve haver uma explicação para ela pode ser enganosa também. A relação programação-ambiente é explicada pela simples probabilidade das diversas programações corresponderem ou não aos ambientes. Seria misteriosa a relação, se não houvesse uma relação probabilística esperada, se a relação probabilística encontrada (p. ex. 100% das vezes que ocorre um alagamento, aparece novas mutações de voô) requeresse uma explicação adicional por implicar em uma direção sistemática do processo, não aleatória, não decorrente da simples probabilidade daquele processo chegar naquilo em condições “simples”. O que sabemos sobre a probabilidade dos processos que levam à modificação da programação? Que ela não tem nenhuma relação sistemática com o meio ambiente, ainda que o aumento ou diminuição sistemáticos de certas programações estejam sistematicamente relacionados ao meio ambiente por intermédio da seleção natural, e que a própria escala de “erros” e “variações” ocorrentes é sistematicamente modulada por efeitos seletivos também. Portanto, o ambiente não causa as modificações, estas ocorrem simplesmente pela probabilidade “interna” de ocorrerem quando as combinações são realizadas. E estas modificações se encontram nos ambientes “corretos” por sorte realmente, por acaso, mas dimensionadas apenas pela probabilidade “interna” já mencionada que, levando em conta que muitas possibilidades podem servir ao objetivo de extrair energia, etc. do ambiente, não é nada improvável que essas “correspondências” programação-ambiente ocorram (ainda que muitas das mutações leve a “não correspondências”), ainda mais dada a dimensão do tempo geológico. Agora, por exemplo, se o ambiente desse sempre e sistematicamente opções em condições extremamente restritivas e se modificasse bruscamente, de tal modo que quase nenhuma modificação fosse “aceitável”, então certamente seria muito mais improvável que a seleção de mudanças graduais pudesse ser uma hipótese correta, aparentemente nesse caso o grau de mudança no ambiente exigiria uma teoria darwiniana modificada, tal como “a teoria do monstro esperançoso” ou qualquer outra teoria de evolução por saltos, já que seria de esperar que a seleção favoreceria sistematicamente arranjos de combinação genética que dessem “saltos” repentinos como parte da variabilidade genética. Aliás, ainda poderia ser o caso que a restritividade das opções e o grau em que a mudança fosse brusca e repentina minasse em grande medida a própria possibilidade da seleção operar, tornando-a muito improvável e/ou possível em circunstâncias muito específicas. E cabe ainda dizer que o mérito do darwinismo foi ter colocado a mudança evolucionária funcional explicada por meio de um mecanismo de filtragem, não de um mecanismo de elaboração ou um mecanismo randômico (ainda que associado com um mecanismo randômico para fornecer a mudança em primeiro lugar). Às vezes, a idéia de que a relação programação-ambiente é misteriosa, por não ter uma explicação direta para além da probabilidade casual (randômica), é expressão de uma intuição de que a explicação para tais arranjos “sortudos” surgirem e permanecerem devesse ocorrer por intermédio de um mecanismo de elaboração que sistematicamente optasse por produzir os caminhos mais benéficos, e não de um mecanismo de filtragem que filtra, em certa direção sistemática, as opções randomicamente produzidas por um mecanismo probabilístico. A intuição é incorreta, tal como seria incorreto intuir que o decaimento seja misterioso, por não sabermos ao certo quais núcleos atômicos decairão de um conjunto, mas apenas que há uma probabilidade tal que metade deles decaia em certo período de tempo.

Professor, fico no aguardo de seu comentário, para saber se fui claro, se deixei de abordar algum ponto que o senhor tenha suscitado, ou pelo menos para saber qual sua posição diante dos argumentos apresentados.

[Continua na parte 2 dessa postagem: https://libertarianismoedarwinismo.wordpress.com/2013/05/22/evolucao-e-acaso-transcricao-de-discussao-que-tive-com-o-professor-andre-coelho-parte-2-de-2/ ]

Referências:

COELHO, André Luiz Souza. 10 Pontos sobre Paternalismo Estatal: Devemos Proteger os Indivíduos contra Si Mesmos? 3/4/2013 –> http://aquitemfilosofiasim.blogspot.com.br/2013/04/10-pontos-sobre-paternalismo-estatal.html

DE CARVALHO, OLAVO. Por que não sou um fã de Charles Darwin. Diário do Comércio, 20/2/2009 –> http://olavodecarvalho.org/semana/090220dc.html

TOOBY, John; COSMIDES, Leda. The Psychological Foundations of Culture. In: COSMIDES, Leda; TOOBY, John; BARKOW, Jerome H. (org.). The Adapted Mind: evolutionary psychology and the generation of culture. Oxford University Press, 1992.

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