A psicologia evolucionária não implica que homens preferem mais o sexo que as mulheres

Um curioso texto volta a circular pelas redes sociais. Publicado em março do ano passado, o artigo “When Women Wanted Sex Much More Than Men: and how the stereotype flipped“, escrito por Alyssa Goldstein, defende que mudanças culturais de apenas 2-3 séculos no Ocidente obscureceram o fato de que, na maior parte da história, considerava-se que as mulheres são mais interessadas em sexo que os homens. A autora acredita que as mulheres seriam mais interessadas em sexo hoje do que os homens caso os estereótipos não tivessem mudado.

Eu penso que o texto, apesar de mostrar corretamente que o estereótipo antigo era o da mulher cheia de apetite sexual, tem alguns problemas: o peso dado às crenças das pessoas no passado como um indicativo do que realmente acontecia sem maior discussão, a negligência em relação à persistência de estereótipos de certos grupos de mulheres como sedentas por sexo (o que ela chega a mencionar, mas, penso, ela não dá a atenção devida às implicações disso), sua fala que a mudança nos estereótipos levou a uma forma de sexismo onde as mulheres tornam-se responsáveis pelo assédio dos homens já que teriam mais força para segurar seus instintos e não abrir brechas (o que manifestamente ignora a ideia antiga de mulher como tentadora exatamente por seu maior apetite sexual, que igualmente atribuía à mulher a responsabilidade pelas quedas masculinas), um foco excessivo no Ocidente e sua história, a ausência de qualquer comentário sobre se há outras regiões do Globo onde os estereótipos são diferentes e as mulheres seriam mais promíscuas que os homens, entre outros.

O problema central do artigo é usar um estereótipo mais antigo para tentar mostrar que o estereótipo mais recente seria falso. Como relato historiográfico, é interessante saber que o apetite sexual masculino já foi considerado como menor que o feminino (e qualquer um que conheça história sabia disso muito antes de 2013), mas não é tão esclarecedor quanto a autora parece pensar.

Outro problema muito significativo é que o texto não elucida a diferença (ou, caso quisesse, a equivalência) entre ter maior apetite sexual e promiscuidade, o que já torna impossível saber que tipo de teste empírico a autora favoreceria para que sua hipótese fosse comprovada.

E é exatamente essa confusão conceitual que leva a um mal-entendido sobre psicologia evolucionária: o de que esta assume os estereótipos de gênero ocidentais modernos, onde a mulher é desinteressada de sexo e o homem é muito mais interessado, uma vez que, em livros e trabalhos científicos sobre psicologia evolucionária, é usual defender-se que os homens tendem a ser mais promíscuos que as mulheres.

Essa conclusão é errônea porque, mesmo sendo corrente a defesa de que os homens tenham uma predisposição inata maior à promiscuidade, isso não tem como consequência a alegação de que os homens preferem mais sexo que as mulheres, ou que as mulheres são desinteressadas por sexo, ou que as mulheres são castas e imaculadas.

Perceba: ser mais promíscuo do que outra pessoa é diferente de ser mais interessado por sexo ou de preferir mais sexo do que outra pessoa. Não é possível dizer que um homem que transa com uma moça diferente por semana prefira mais sexo que um homem que transa com uma namorada fixa, por exemplo.

Ou seja, o problema reside no próprio critério para definir que alguém prefere mais sexo que outra pessoa. Isso é avaliado por meio da quantidade de relacionamentos sexuais de curto prazo (uma espécie de índice de promiscuidade)? Pela quantidade de parceiros sexuais ao longo da vida? Pela quantidade de relações sexuais ao longo da vida? Pela frequência de relações sexuais? Pela quantidade de orgasmos? Pela capacidade de sustentar por mais tempo a excitação sexual? Pela disposição de masturbar-se quando ausente ou improvável a possibilidade de transar com alguém? Pela frequência de pensar em sexo? Pela qualidade média das relações sexuais? Pela mensuração do prazer sentido durante a relação sexual? Ou seria algum outro?

Não é claro se um desses critérios isoladamente poderia servir como o critério para “quem prefere mais sexo que outra pessoa”. Mesmo se pensarmos em um conjunto deles, por quais optar e qual peso dar a cada um relativamente aos outros? Isso não é nada fácil de definir. E, por isso mesmo, também não é a mera alegação de maior promiscuidade entre os homens que nos permitirá concluir que as mulheres não gostam de sexo tanto quanto ou mais do que eles.

Por outro lado, uma hipótese muito comum entre pesquisadores no ramo da psicologia evolucionária é a de que, enquanto os homens teriam vantagens evolucionárias em adotar um comportamento sexual mais promíscuo (“poligâmico”), uma vez que isso aumentaria sua prole futura, as mulheres teriam vantagens evolucionárias em adaptar suas preferências conforme varia a probabilidade do ato sexual levar à concepção ao longo do ciclo menstrual.

Fora da ovulação, as mulheres tenderiam a preferir um perfil de parceiro sexual mais provedor/cooperativo, o que seria vantajoso para prover recursos para sua prole. Quando da ovulação, as mulheres tenderiam a atrair-se por um perfil de parceiro sexual com mais elevada taxa de testosterona e aparência mais robusta, o que seria vantajoso para ter uma prole mais atraente com maior probabilidade de sucesso sexual no futuro.

Perceba que isso de nenhuma forma implica que as mulheres sejam desinteressadas por sexo. Ao contrário, se essa hipótese for verdadeira, mostra que as mulheres têm predisposições para trair parceiros estáveis, que sua disposição sexual pode direcionar-se pelo menos para dois parceiros sexuais diferentes ao longo do período de um mês (e, potencialmente, muito mais ao longo da vida inteira) e que são interessadas por sexo.

Mas existe alguma evidência para essa hipótese?

Em primeiro lugar, essa hipótese é plausível, pelo fato de que permitiria uma combinação eficiente de duas estratégias reprodutivas básicas que fêmeas (não só as humanas) podem adotar. Richard Dawkins, em “O gene egoísta”, explicou essas duas estratégias da seguinte forma:

“Examinarei as duas possibilidades principais, a chamada ‘estratégia do idílio doméstico’ e a ‘estratégia do macho viril’.

Eis a versão mais simples da estratégia do idílio doméstico. A fêmea examina com atenção todos os machos e tenta identificar, de antemão, sinais de fidelidade e de domesticidade. (…) Ao insistir num longo período de noivado, a fêmea excluirá os pretendentes casuais e só copulará com um macho que tenha provado suas qualidades de fidelidade e de perseverança. (…) Os rituais da corte animal quase sempre incluem um considerável investimento pré-cópula por parte do macho. A fêmea poderá recusar-se a copular até que o macho tenha construído um ninho para ela. Ou o macho poderá ter de prover quantidades substanciais de alimentos. (…)

(…) passo à outra estratégia feminina importante, a estratégia do macho viril. Nas espécies em que essa política é adotada, as fêmeas resignam-se a não obter ajuda dos pais dos seus filhos e, em lugar disso, dedicam-se inteiramente a obter bons genes. (…) Se uma fêmea puder, de alguma forma, detectar bons genes nos machos, usando as indicações externamente visíveis, poderá beneficiar seus próprios genes, associando-os a bons genes paternos. (…) Numa sociedade em que os machos competem entre si para serem escolhidos como machos viris pelas fêmeas, uma das melhores coisas que uma mãe pode fazer pelos seus genes é produzir um filho que, por sua vez, se revele um macho viril e atraente. (…) Isso resulta em que uma das qualidades mais desejáveis que um macho pode ter, aos olhos de uma fêmea, é, pura e simplesmente, a própria atração sexual. Uma fêmea que acasale com um macho viril extremamente atraente terá maior probabilidade de ter filhos atraentes para as fêmeas das gerações seguintes, garantindo, assim, muitos netos para si.” (DAWKINS, 2007, p. 266-267,277-279)

Ou seja, a hipótese implica em uma utilização alternada dessas duas estratégias, visando a maximização do fitness (aptidão) reprodutivo. Mas isso a torna plausível evolucionariamente, sendo necessário mostrar que evidências empíricas dispomos dela.

No interessante paper “Evolutionary Psychology and Feminism“, David Buss e David Schmitt abordam as evidências de adaptações femininas à ovulação em termos de estratégias reprodutivas.

Eles destacam que a mais proeminente hipótese nesta área é a da “hipótese dos bons genes”, que é o que Dawkins denominava de “estratégia do macho viril”. Assim, durante a ovulação, as mulheres voltariam suas preferências sexuais para homens que possuam “indícios” de elevada qualidade genética, tal como determinados traços masculinos e simétricas (BUSS; SCHMITT, 2011, p. 11; citam Gangestad and Simpson 2000; Thornhill and Gangestad 2008).

De fato, há pesquisas que falharam em encontrar apoio para essa hipótese (citam Harris, 2010; Peters et al, 2009), mesmo com amostragens significativas, como a de Harris. Contudo, Buss e Schmitt entendem que esses estudos deixam de considerar um amplo corpo empírico que encontra evidências para essa adaptação, como mulheres preferindo corpos e faces mais masculinos durante a ovulação (Anderson et al, 2010; Little et al, 2007) e também vozes mais masculinas (Feinberg et al, 2006; Puts, 2005). Além disso, citam a revisão da evidência feita por DeBruine et al (2010), que esclarece algumas características problemáticas daquelas pesquisas, especialmente a de Harris.

Contudo, apesar dessas evidências existirem, não são conclusivas para a “hipótese dos bons genes”, uma vez que existem hipóteses alternativas, como a do próprio Buss e Shackelford (2008) segundo a qual esse ajuste durante a ovulação reflete o fato de que as mulheres tornam-se mais reprodutivamente “valiosas” durante a ovulação. Assim, como um “mate value” (valor como parceiro reprodutivo) mais elevado levaria à uma demanda mais forte em suas preferências sexuais por traços como masculinidade, status social e potencial para aquisição de recursos, os ajustes quando da ovulação poderiam refletir uma mudança na percepção das mulheres de seu próprio mate value, ao invés uma mudança em preferência por indícios de bons genes.

No abstract desse outro artigo, Buss e Shackelford já deixam bem claro a diferença preditiva entre esta hipótese e a dos “bons genes”:

“A minority of women— notably those low in mate value who are able to escape male mate guarding and the manifold costs of an exposed infidelity—will pursue a mixed mating strategy, obtaining  investment from one man and good genes from an extra-pair copulation partner (as the trade-off model predicts). Since the vast majority of women secure genes and direct benefits from the same man, however, most women will attempt to secure the best combination of all desired qualities from the same man.” (Buss, Shackelford, 2008)

Além disso, para uma terceira hipótese, Buss e Schmitt citam Roney et al (2010), que defende que são as mudanças hormonais da ovolução (especificamente no estradiol) que estimulam essas preferências nesse período, sendo, portanto, um subproduto.

Portanto, a conclusão de Buss e Schmitt (2011, p. 11) é que existem evidências para essa hipótese, mas que é necessário mais trabalho empírico tanto para consolidar o status empírico dessas mudanças em preferências sexuais, quanto para definição da hipótese que melhor a explica.

Posteriormente, em 2012, um interessante trabalho “Ovulatory Shifts in Women’s Attractions to Primary Partners and Other Men: Further Evidence of the Importance of Primary Partner Sexual Attractiveness“, por Larson, Pillsworth e Haselton, traz mais evidências dos efeitos da ovulação em relação à atração feminina maior por homens que disponham de indicadores de “bons genes”. O trabalho é citado por Buss (2013) com aprovação.

Além dessas referências, adentrando no campo das meta-análises, a discussão é intensa e não está decidida, pelo que deixo algumas referências recentes: a) A primeira, a favor: Gildersleeve, K., Haselton, M. G., & Fales, M. R. (2014). Do women’s mate preferences change across the ovulatory cycle? A meta-analytic review. b) Réplicas contra: Harris, C. R. , Pashler, H., Mickes, L. (2014). Elastic analysis procedures: An incurable (but preventable) problem in the fertility effect literature. Comment on Gildersleeve, Haselton, and Fales (2014). Psychological Bulletin, 140, 1260-1264. / Wood, W., & Carden, L. (2014). Elusiveness of menstrual cycle effects on mate preferences: Comment on Gildersleeve, Haselton, and Fales (2014). Psychological Bulletin, 140, 1265–1271; c) Tréplica a favor: Gildersleeve, K., Haselton, M. G., & Fales, M. R. (2014). Meta-Analyses and P-Curves Support Robust Cycle Shifts in Women’s Mate Preferences: Reply to Wood and Carden (2014) and Harris, Pashler, and Mickes (2014).  Psychological Bulletin, 140, 1272–1280.

Um outro caminho pelo qual essa hipótese poderia ser questionada é desafiando essa distância entre homens e mulheres tanto no quesito dos relacionamentos sexuais de curto prazo como nos de longo prazo, por intermédio do questionamento do modelo utilizado para gerar hipóteses.

Neste caso, o que se desafia não é diretamente a hipótese sobre os efeitos da ovulação e do ciclo menstrual, mas sim o modelo de seleção sexual que levaria à estimativa de uma diferença entre os sexos maior que a correta no caso do ser humano.

Na biologia evolucionária mais geral, existe muita discussão sobre qual modelo aplicar para modelar a dinâmica da seleção sexual em diferentes espécies animais: o males-compete/females-choose (modelo MCFC) e o mutual mate choice (modelo MMC).

No paper “Towards a Theory of Mutual Mate Choice: lessons from two-sided matching“, Carl Bergstrom e Leslie Real defendem que muitos modelos usados para explicar a dinâmica da seleção sexual e da escolha de parceiro na biologia evolucionária fazem uma de duas premissas simplificadoras: ou as preferências sexuais são consideradas uniformes (por exemplo, todas as fêmeas têm as mesmas preferências em relação a todos os machos); ou a escolha de parceiro é considerada como sendo feita apenas por um dos lados (por exemplo, apenas as fêmeas que escolhem).

Apesar desse tipo de modelo ser adequado para algumas espécies (citam uma espécie de ácaro), os autores entendem que não o seriam para grande parte delas (BERGSTROM, REAL, 2000, p. 494), uma vez que a escolha de parceiro raramente ocorre entre os animais de modo tal que um dos lados seja inteiramente passivo (Cunningham, Birkhead, 1988).

Perceba, portanto, que o modelo MCFC presume que os machos competem entre si para serem escolhidos pelas fêmeas, enquanto o modelo MMC significaria que existem tanto seleção das fêmeas pelos machos quanto competição entre as fêmeas pelos machos.

No paper “The Ape That Thought It Was a Peackock: Does Evolutionary Psychology Exaggerate Human Sex Differences?“, Steve Stewart-Willians e Andrew G. Thomas problematizam a persistência do uso de  modelos MCFC em psicologia evolucionária, e advogam pela adoção de um modelo MTC. Para eles, o uso das premissas desses modelos levam a visões diferentes sobre o ser humano e as diferenças entre os sexos.

Quanto ao modelo MCFC:

“Human beings are a sexually dimorphic species. We exhibit profound sex differences in sexuality. These trace back to sex differences in parental investment. Historically, women invested more into their offspring than men. For a start, eggs are biologically much more “expensive” than sperm. More important, mammalian reproductive physiology obliges women to bear the biological costs of a 9-month pregnancy and, until recently, several years of breastfeeding. Men’s minimum contribution to the production of offspring is much smaller. Because of the sex difference in minimum parental investment, the maximum number of offspring a man can have in his lifetime is much higher than that of a woman. If a man mated with 100 women in a year, he could potentially have 100 offspring; if a woman mated with 100 men in a year, on the other hand, she would have no more offspring than if she had only mated with one. As such, males in our evolutionary past who pursued quantity of mates rather than quality had more offspring than other males, and the tendency to favor quantity became more and more common among males over the generations (i.e., itwas selected). In contrast, ancestral females who sought quality of mates rather than quantity had more surviving offspring than other females, and that tendency was selected among females. The net result is that men evolved to pursue short-term sexual relationships with as many women as possible, only opting for long-term pair bonding if they failed in this strategy, whereas women evolved to be choosier than men about their sexual partners, and to favor long-term pair bonds with menwho helped provide for their offspring. Men court women and compete with one another to gain sexual access to as many women as possible.Women, in contrast, choose from among the available men.Women’s choices then exert a strong selection pressure on men, shaping male courtship “ornaments” such as facial symmetry, status seeking, creative intelligence, and humor—all of which are human equivalents of the peacock’s tail.” (STEWART-WILLIANS, THOMAS, 2013, p. 138)

Assim, entendem os autores deste trabalho que o modelo MCFC preconiza maiores diferenças entre os sexos. O homem tenderia à promiscuidade (“poligamia”) de ter várias parceiras sexuais de curto prazo ao longo da vida, sendo o relacionamento de longo prazo apenas uma estratégia utilizada quando da ineficácia relativa da estratégia promíscua. Já a mulher tenderia a buscar relacionamentos de longo prazo com homens que ajudem a prover recursos para a prole. Considero que teria sido adequado que os autores mencionassem os efeitos de ovulação, que podem levar a relações de curto prazo – mesmo na existência de relação de longo prazo – durante esse período do ciclo menstrual, mas eles acabam não mencionando este ponto neste trecho.

Quanto ao MMC:

“Human beings are a relatively monomorphic species. Certainly, there are some average differences between the sexes, and certainly these trace back to the fact that women invest more in offspring than men. However, sex differences in sexuality are fairly modest in our species, precisely because sex differences in parental investment are fairly modest—much more modest than we would assume if we focused on gamete size, pregnancy, and lactation alone. As brain size increased in the hominin lineage,1 our young became progressively more dependent and the childhood period became progressively longer. As a result, pair bonding and male parental care became central elements in our reproductive repertoire. This dramatically reduced the discrepancy in the maximum number of offspring that men versus women could produce. Although in principle a man could impregnate hundreds of women every year, in practice the reproductive ceiling for even the most attractive men was almost always much lower. Consequently, we exhibit reduced psychological dimorphism.Moreover, we are not the kind of species in which females alone exert mate choice or males alone compete for mates; we are a species with mutual courtship. Because men often invested in offspring, they evolved to be choosy about their mates—in other words, to pursue mate quality rather than just quantity, at least in long-term relationships. Similarly, because men differed in their capacity to invest, women evolved to compete for the most desirable partners. Mutual mate choice has an important implication, namely, that sexual selection does not act wholly on human males. We are a species in which both sexes have their equivalents of the peacock’s tail. Indeed, when it comes to physical beauty, the usual sex difference has arguably been reversed: Females are the “showier” sex.” (STEWART-WILLIANS, THOMAS, 2013, p. 138-139)

Assim, entendem os autores que o modelo MMC implica em uma diferença menor entre os sexos (que ainda existe, saliente-se), uma vez que os relacionamentos de longo prazo fizeram-se mais necessários em nossa espécie pela necessidade dos infantes serem cuidados por muito mais tempo, preferencialmente tanto pelo pai quanto pela mãe. Assim, a estratégia reprodutiva central tanto para homens quanto para mulheres seria a de focar em relacionamentos de longo prazo.

Os autores salientam que não estão dizendo que todos os psicológicos evolucionários aceitam o modelo MCFC, mas que grande parte deles tendem a formular hipóteses dentro do framework desse modelo, mesmo quando reconhecem certos aspectos da interação entre os sexos entre os humanos que correspondem mais ao modelo MMC. (STEWART-WILLIANS, THOMAS, 2013, p. 39)

Sobre a tendência à promiscuidade entre os homens e as mulheres, os autores concordam que os homens têm uma tendência maior a isso que as mulheres. Eles reconhecem que a comprovação disso é uma conquista da psicologia evolucionária, provendo uma explicação correta sobre o porquê disso ser assim e demonstrando que isso ocorre em todas as culturas, portanto, tendo caráter universal. Ou seja, mesmo se o modelo MCFC for incorreto, como entendem esses autores, ainda assim continua válido que os homens tendem a ser mais promíscuos que as mulheres (e continua não sendo inferido disso que as mulheres preferem menos sexo que os homens).

Veja o trecho na íntegra, onde Stewart-Willians e Thomas inclusive citam trabalho anterior dos autores já citados, David Buss e David Schmitt:

One of the most famous claims in EP is that, because of sex “differences in parental investment, men have evolved to be more interested than women in casual sex, sexual novelty, and the acquisition of multiple mates within a short time frame (Buss&Schmitt, 1993; Schmitt, 2005b). People had, of course, noticed this difference before EP came along. However, EP has made two major contributions. First, it has provided a cogent and compelling explanation for the sex difference. Second, it has documented its cross-cultural universality, thus strongly challenging the view that the difference is simply a product of local cultural mores. These must be counted as among themost significant contributions of EP to the understanding of our species, and we do not deny that the explanation is fundamentally correct or that the difference is genuine. Nonetheless, it is possible to exaggerate even a genuine difference, and we suggest that there is a tendency in EP to do exactly that. Modern evolutionary psychologists do not claim that “men are promiscuous, women are monogamous,” as some critics charge (e.g., Brym & Lie, 2007, p. 68). However, they still sometimes give an inflated impression of the difference in short-term mating inclinations.  (STEWART-WILLIANS, THOMAS, 2013, p. 153)

Perceba que eles inclusive reconhecem que a psicologia evolucionária nunca reivindicou que homens são promíscuos enquanto mulheres são monogâmicas, e, a fortiori, podemos acrescentar que nunca reivindicou que mulheres correspondem na íntegra ao estereótipo de que não seriam interessadas em sexo!

O questionamento deles gira em torno da magnitude dessa diferença na tendência. Eles admitem que as diferenças em orientação sociossexual (disposição para ter relações sexuais fora de um relacionamento comprometido) encontradas em um estudo intercultural com uma amostragem muito significativa, com 200.000 participantes de 53 países (Lippa, R. A., 2009; destaque-se que Lippa tem trabalhado em outros estudos interculturais relacionados com diferenças entre os sexos, veja aqui alguns abstracts) foram significativas pelo modo padrão de medir essa correlação em psicologia:

“Collapsing across nations, Lippa (2009) found an average effect size of d = .74 for the sex difference in SO (or an estimated d = .85 after statistically correcting for attenuation caused by using a small number of items to measure the construct). If we accept Cohen’s (1988) convention, this would be deemed a large effect.” (STEWART-WILLIANS, THOMAS, 2013, p. 138)

Contudo, eles pensam que este efeito não é tão grande como poderia parecer, dadas algumas questões metodológicas. Uma delas é a de que existiria muita variação em torno da média. Um estudo de 1991, por exemplo, encontrou que 1/3 dos homens – uma minoria significativa – tinha uma orientação sociossexual menor que a mulher média (Simpson, Gangestad,1991). Outra é a comparação com outros animais mais dismórficos, e assim por diante.

É interessante destacar também que, em termos de estereotipação, o modelo MCC também pode ser deturpado. Sua ênfase na família nuclear monogâmica pode facilmente ser utilizada por divulgadores e/ou por simpatizantes dessa hipótese para defender que finalmente a ciência vindicou a família heterossexual monogâmica tradicional como o pilar da estrutura social. Por exemplo, o seguinte trecho de Frans de Wall pode facilmente ser desvirtuado para fins conservadores e sexistas (mesmo que essa não tenha sido a intenção de Frans de Wall!):

 “Nossa evolução seguiu rumo diferente. Aumentando a certeza sobre a paternidade, abrimos caminho para um envolvimento ainda maior do pai nos cuidados com os filhos. No processo, tivemos de limitar o sexo fora da família nuclear. Até nossos testículos pequenos contam uma história de maior compromisso e liberdade refreada. A livre troca de parceiros não pode ser tolerada em um sistema reprodutivo como esse. Assim, domar a sexualidade tornou-se uma obsessão humana, a ponto de algumas culturas e religiões determinarem a remoção de parte dos genitais femininos ou equipararem o sexo em geral com o pecado. (…)

O dilema de como engedrar a cooperação entre concorrentes sexuais foi resolvido de um só golpe com o estabelecimento da família nuclear. Esse esquema ofereceu a quase todo homem a chance da reprodução e, portanto, incentivos para que ele contribuísse para o bem comum. Assim, devemos ver a manutenção do par humano como a chave para o incrível nível de cooperação que marca nossa espécie. A família, e os costumes sociais que a embasam, permitiu-nos levar os vínculos masculinos a um novo patamar, desconhecido em outros primatas. Preparou-nos para empreendimentos cooperativos em grande escala que possibilitaram a conquista do mundo: de instalar ferrovias através de um continente a formar exércitos, governos e corporações globais. (…) nosso sucesso como espécie está inextricavelmente vinculado ao abandono do estilo de vida bonobo e a um controle mais rigoroso das expressões sexuais.” (DE WALL, 2007, p. 158 e 160)

Portanto, acusações de que a psicologia evolucionária estaria atendendo a estereótipos ocidentais e seria “paroquial” surgiriam mesmo se desde o início os pesquisadores da área tivessem dado maior ênfase ao modelo MMC na hora de formular suas hipóteses.

Em seu comentário a este paper, Geoffrey Miller concorda que os argumentos do paper são importantes para mudanças dentro do campo da psicologia evolucionária (que deveria dar mais atenção ao modelo MMC, como alguns de seus pesquisadores já faziam, dentre eles o próprio Miller e o David Buss, muito antes desse paper de 2013), mas toma o cuidado de ressaltar que o modelo pode ser deturpado também ou ter implicações ofensivas ao “politicamente correto”:

The MMC’s ideological dark side. At first glance, MMC sounds more romantic, sexually egalitarian, and ideologically appealing than MCFC. But at a deeper level, it is even less politically correct and challenges some basic assumptions of blank slate egalitarianism, romantic sentimentality, and Western liberal progressivism (Miller, 2003). (…)

As a result, our mate preferences are likely to embody some principles of intuitive eugenics, with men assessing women (unconsciously) as egg donors, and women assessing men (unconsciously) as sperm donors. (By contrast, most MCFC models in EP have focused on mate preferences for nonheritable traits, such as youthful fertility or material resources, which raise fewer eugenic concerns.) (…)

Ideologically, MMC models can sound like they naturalize neo-Victorian family values of slow courtship, careful mate choice, voluntary eugenics, long-term monogamy, sexual fidelity, and paternal duty. Thus, MMC threatens to impose a sort of puritanical buzzkill on the pop psychologists devoted to the MCFC “men are promiscuous, women are monogamous” mantra, and on the pop anthropologists who champion the “people are bonobos” mass-promiscuity model. They might not welcome such a stern Galtonian party-crasher.” (MILLER, 2013, p. 209)

Portanto, é importante ressaltar: divulgadores e/ou simpatizantes tendem a passar ideias científicas ao público sem a contextualização ou cuidado devido, e às vezes os próprios pesquisadores da área podem exagerar certos aspectos, mas isso não significa que a psicologia evolucionária seja cheia de pseudociência, ou que seja apenas uma protociência, ou que seja “paroquial” ou que está enviesada para favorecer estereótipos sexistas ou de outro tipo existentes no Ocidente. Nenhum dos papers citados permite concluir isso.

Em comentário às ponderações de Steve Stewart-Willians e Andrew G. Thomas, David Buss salienta outros aspectos importantes, no paper “The Science of Human Mating Strategies: An Historical Perspective“.

Apesar de concordar com a importância do modelo MMC (uma vez que ele mesmo já o utilizava há 25 anos complementarmente ao MCFC), Buss tem duas críticas à Stewart-Willians e Thomas.

A primeira é sobre o nome escolhido para designar o modelo, Mutual Mate Choice. O modelo assim designado enfatiza a centralidade dos relacionamentos de longo prazo e do cuidado parental na evolução humana, mas não é possível deixar de lado os relacionamentos oportunísticos de curto prazo (incluindo casos extraconjugais), o recurso ao engano (deception) nos relacionamentos, a influência dos pais nos casamentos (como explícito na tradição de casamentos arranjados) e o estupro, quando o assunto da mate choice está em investigação. Por isso, propõe o termo que ele mesmo já usava, Mating Strategies Theory ou Sexual Strategies Theory. (BUSS, 2013, p. 173-174)

A segunda crítica é sobre a alegação de que a psicologia evolucionária teria exagerado a tendência maior dos homens à promiscuidade e aos relacionamentos sexuais de curto prazo em relação às mulheres. Ele faz dois apontamentos a respeito.

Primeiro, destaca que existe um contexto histórico pertinente, que era o fato de, anteriormente, a ciência social sempre enfatizar que homens e mulheres não teriam nenhuma diferença inata, daí que os pesquisadores de psicologia evolucionária tenham em reação a isso enfatizado a existência da diferença. Alguns podem ter contribuído para os exageros midiáticos na hora de divulgar isso, mas certamente a culpa não é da disciplina. E, de fato, ele considera que a tendência atual, seja na psicologia evolucionária, seja na biologia evolucionária, é a de apresentar a discussão que sempre houve das evidências de forma mais explícita para o público, sem precisar enfatizar mais um ponto do que outro:

“The key is to simply be scientifically accurate— describe effect sizes, unpack the importance of those effect sizes, explore their ramifications, describe distribution overlap, and importantly focus on within-sex differences as well as between-sex differences. The field of evolutionary psychology, indeed the field of evolutionary biology, is beginning to move in that direction (e.g., see the many chapters in the recent edited volume by Buss & Hawley, 2011).” (BUSS, 2013, p. 175)

Segundo, a dimensão do effect size encontrada não deveria ser subestimada, uma vez que ele é maior (.74, .80 e em alguns estudos mesmo .1,00) do que o geralmente encontrado em psicologia (por volta de .20 à .30). (BUSS, 2013, p. 175)

Quanto à sua importância, o effect size nem sequer precisava ser grande, uma vez que mesmo diferenças pequenas podem ter consequências muito impactantes no mundo real (Rosenthal, Rosnow, Rubin, 1999). Por exemplo, o tráfico de pessoas é um evento de baixa frequência, mas prejudica enormemente milhares de mulheres ao redor do mundo. E existe fundamentalmente por conta da psicologia sexual masculina, mesmo que seja apenas um número limitado de homens que regularmente recorram à prostituição. Portanto, a importância deve ser medida não só em termos de effect size, mas em termos de fitness, custos físicos e custos psicológicos (BUSS, 2013, p. 175-176)

Buss também salienta, contra todas aquelas vozes que acusam a psicologia evolucionária de ser uma pseudociência ou quando muito uma protociência, que foi apenas com a emergência deste campo que foi possível acumular conhecimento empírico para responder ou começar a responder às seguintes questões, que merecem ser transcritas aqui na íntegra:

“1. Do men and women differ in the value they place on different qualities in a long-term mate, and if so,were these sex differences limited to the United States or to Western cultures, or were they universal across cultures (Buss, 1989b)?

2. Do mate preferences vary depending on the type of mate sought, such as a short-term casual sex partner versus a long-term committed mate (Buss &Schmitt, 1993; Kenrick, Sadalla,Groth,&Trost, 1990; Li & Kenrick, 2006)?

3. Do mate preferences vary as a function of theoretically relevant social and ecological variables, such as cultural norms about premarital sex, operational sex ratio, or parasite prevalence (Buss, 1989b; Gangestad & Buss, 1993; Gangestad, Haselton, & Buss, 2006)?

4. Do women’s mate preferences vary as a function of their ovulation cycle (Larson, Pillsworth,&Haselton, 2012)?

5. Do expressed mate preferences correspond to actual behavioral measures of revealed mate preferences (Hitsch, Hortac¸su, & Ariely, 2010)?

6. To what degree, and in which contexts, do mate preferences influence actual mating and marital decisions (Buss, 2003; Li et al., in press)?

7. Does one’s personal mate value influence an individual’s ability to translate their mate preferences into their actual mating decisions (Buss, 2003)?

8. Do women and men adjust their mate preferences up or down depending on their own mate value (Buss & Shackelford, 2008)?

9. Do mate value discrepancies within romantic relationships predict sexual infidelity and relationship dissolution (Buss & Shackelford, 1997)?

10. To what degree do cultural institutions, such as arranged marriages, limit the ability of individuals to seek the potential mates they desire (Buss, 2003)?

11. Can the mate preferences of one sex be used to predict the content of attraction tactics used by the opposite sex (Buss, 1988a; Schmitt & Buss, 1996)?

12. Can the mate preferences of one sex be used to predict the ways in which women and men derogate their mating competitors through the verbal slings and arrows of gossip (Buss&Dedden, 1990; Schmitt & Buss, 1996), and are there sex differences in the qualities of mating rivals that produce emotional distress (Buss, Shackelford, Choe, Buunk, & Dijkstra, 2000)?

13. Can the mate preferences of one sex be used to predict the mate poaching tactics used by the opposite sex (Schmitt & Buss, 2001)?

14. Can the mate preferences of one sex influence behavioral tactics used for mate retention in longterm dating relationships and actual marriages (Buss, 1988b; Buss & Shackelford, 1997)?

15. Do sex differences in mate preferences predict sex differences in causes of divorce across cultures (Betzig, 1989)?

16. Are standards of beauty arbitrary and infinitely culturally variable, as mainstream psychologists long assumed, or do women and men have evolved standards of attractiveness that are universal across cultures (Sugiyama, 2005)?

17. Do men and women have different standards of beauty, such as prioritizing facial versus body cues, depending on whether they are seeking a long-term or short-term mate (Confer, Perilloux, & Buss, 2010)?

18. Do men and women get into predictable forms of conflict due to conflicting mating strategies (Buss, 1989a, 1996; Haselton, Buss, Oubaid, & Angleitner, 2005)?

19. Do men and women attempt to deceive potential mates inways predictable from theirmating strategies (Haselton et al., 2005)?

20. Do women and men experience predictable forms of sexual regret from missed sexual opportunities and retrospective errors in sexual choice (Galperin et al., in press)?” (BUSS, 2013, p. 172)

Também recomendo o texto de um conhecido crítico de problemas da Psicologia Evolucionária, Jerry Coyne, denominado “Is evolutionary psychology worthless?“, onde este biólogo reconhece que, apesar de já ter feito críticas de teorias infundadas/distorções populares/excessos especulativos nessa seara, nunca chegou ao ponto de considerar que essa disciplina fosse de nenhuma utilidade, ao contrário, há coisas boas nela e cada vez mais está ficando melhor.

Coyne demonstra aceitar o status científico da psicologia evolucionária, pois comenta que a disciplina tem amadurecido no sentido de uma concentração crescente em evidências e testabilidade, ao invés de “contar histórias”. Cita como áreas muito promissoras:

 “Incest avoidance, especially in those societies that haven’t made a connection between incest and birth defects.  Also, the proximate cues for avoiding incest, as in the failure of children raised in a kibbutz to marry.

Humans’ innate fear of harmful creatures or features, as in spiders and heights, and the lack of innate fears of more modern dangers.

The variance in offspring number between males and females in various societies, and the differential “pickiness” of males and females when choosing mates

The evolution of concealed ovulation in humans as opposed to other primates.

The use of odors and immune-system matching (i.e., MHC genes) as cues for mates.

The cause of sexual dimorphisms (e.g., size differences between males and females).

The cause of physical and physiological differences between human ethnic groups (was it sexual selection, drift, or something else?)

Gene-culture coevolution, as in the evolution of lactose tolerance.

The evolution or morality using comparative studies with other primates.

The evolution of language (see The Language Instinct by Pinker).

Parent-offspring conflict, and cases in which kin are favored over nonkin.

Why we like food that is bad for us (e.g. fats and sweets), and why we feel disgust at certain foods or odors”

Também recomenda-se o paper “Evolutionary Psychology: Controversies, Questions, Prospects, and Limitations”, escrito por Confer, Easton, Fleischman, Goetz, Lewis, Perilloux e Buss em 2010. O leitor pode consultar a série daqui do blog (ainda incompleta) que resume este paper: parte 1, parte 2, parte 3, parte 4.

Portanto, alegar que a psicologia evolucionária seguia ou segue estereótipos ocidentais modernas por defender que mulheres não se interessam por sexo ou que os homens preferem mais o sexo do que as mulheres é completamente equivocado, uma vez que não corresponde à realidade da discussão científica travada nesta disciplina.

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Daqui do blog: “O ‘estado da arte’ da psicologia evolucionária – parte 1 (introdução)”, 28/06/2013.

Daqui do blog: “O ‘estado da arte’ da psicologia evolucionária – parte 2 (bases teóricas)”, 12/08/2013.

Daqui do blog: “O ‘estado da arte’ da psicologia evolucionária – parte 3 (falseabilidade/testabilidade)“, 20/09/2013.

Daqui do blog: “O ‘estado da arte’ da psicologia evolucionária – parte 4 (modularidade da mente)“, 24/04/2014.

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