Pensando desigualdade e pobreza de forma dinâmica, não estática

54% dos americanos passam pelo menos um ano de suas vidas abaixo da linha da pobreza ou próximo a ela, mas 77% passam pelo menos um ano entre os 20% mais ricos da distribuição de renda, 56% entre os 10% mais ricos e 39% entre os 5% mais ricos. O ciclo de vida analisado foi o de 25 aos 60 anos e a proximidade da linha da pobreza significa renda menor que 150% daquela da linha.

É o que afirmam os pesquisadores Mark Rank e Thomas Hirchil. Há anos eles estudam questões como renda no ciclo de vida, pobreza crônica x pobreza transitória e o aspecto longitudinal da distribuição de renda.

Perceba que essa forma de olhar para os dados mostra o que há de tão errado na maneira como muitas pessoas discutem desigualdade de renda.

Por exemplo, rendas estagnadas na extremidade inferior da distribuição de renda significa que pessoas estão com rendas estagnadas? Depende. Se as pessoas são significativamente móveis entre os empregos, isso poderia significar que a maior parte delas não ficará com renda estagnada uma vez que mudará para empregos com renda maior (e, assim, também sairá da extremidade inferior da distribuição de renda) quando obtiver maior experiência e/ou idade.

Outro exemplo: nos Estados Unidos, 15% da população cai abaixo da linha da pobreza tal como definida lá (não confundir com a linha de pobreza que adotamos para avaliar países subdesenvolvidos!). Isso significa que esses 15% sempre são compostos pelas mesmas pessoas ao longo dos anos? Não! A pobreza crônica, definida como permanecer abaixo da linha da pobreza por 5 anos consecutivos ou mais em um intervalo de 10 anos, não é a condição mais comum (apenas 19,7% daqueles abaixo ou próximo da linha da pobreza estarão nessa condição por pelo menos 5 anos) e inclusive declinou durante a década de 1990, mesmo com o aumento da desigualdade de renda.

Em termos mais gerais, pode-se dizer que a análise estática da distribuição de renda não é tão informativa quanto se supõe. Por exemplo, sabe-se que a desigualdade de renda nos Estados Unidos aumentou consideravelmente desde a década de 70, mas a mobilidade de renda intergeracional do país permanece a mesma da década de 70 (com bastante variação local) e, como afirmado, a pobreza crônica diminuiu. Não são resultados intuitivos, mas ajustam-se aos dados.

O fato é que a melhor abordagem para analisar a questão da distribuição de renda não é uma visão apenas estática, mas principalmente dinâmica. É a dinâmica de como as pessoas alteram ou não alteram sua posição dentro da distribuição de renda mais o crescimento da renda dentro dos estratos é o mais significativo em termos de bem-estar humano.

Isso significa que deveríamos nos concentrar em 1) A renda média do estrato inferior (digamos, os 5% ou 10% mais pobres) está crescendo? É uma renda alta comparada a outras economias? 2) Quão móveis são as pessoas dentro da distribuição de renda ao longo da vida, seja para cima ou para baixo? Grande parte da população consegue acessar níveis de renda mais prósperos ao longo de sua vida, apesar do risco de, em outros momentos, terem um nível de renda menor? 3) Qual a taxa de imigração, principalmente de trabalhadores desqualificados? Eles conseguem integrar-se ao mercado de trabalho ou empreender? 4) A renda per capita é elevada e está crescendo?

Por que esses critérios? Porque eles nos permitem uma análise mais detida da real situação da distribuição de renda.

Primeiro, não adianta falar em distribuição de renda se a renda per capita é baixa. A renda em relação à população deve ser alta para que o país torne-se desenvolvido e possa garantir amplo bem-estar à população. Além disso, mais renda per capita pode significar também mais inovação e mais dinamismo econômico.

E os custos em termos de renda per capita nunca podem ser subestimados: como David Schmidtz apontou no livro Social Welfare and Individual Responsability, se a taxa de crescimento anual do PIB dos Estados Unidos tivesse sido 1 ponto percentual menor entre 1870 e 1990, o PIB o per capita dos Estados Unidos seria menos que um terço do nível atual, o que o colocaria em pé de igualdade com o México!

Segundo, é preciso que a renda dos mais pobres esteja crescendo e seja elevada, em conformidade a uma renda per capita crescente e elevada. Maximizar a renda dos trabalhadores de menor remuneração é justiça social e reduzir a pobreza na renda ajuda os mais pobres a terem sua condição melhorada em face de outros males sociais (o que é apurado pelo Índice de Pobreza Multidimensional).

Atualmente, os pobres dos países desenvolvidos são consideravelmente mais ricos que a maioria das pessoas nos países subdesenvolvidos. Por exemplo, os 5% mais pobres americanos têm renda média superior à de 50% da população brasileira e 68% da população mundial. Veja a tabela abaixo, do trabalho de Milanovic em desigualdade global:

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(A discussão sobre esse gráfico, com dados de 2005, pode ser encontrada aqui e aqui. Você pode encontrar uma explicação sucinta do mesmo aqui)

Terceiro, é preciso entender que há desvios desse quadro de “foco no crescimento da renda absoluta do bolo total ou dos estratos mais baixos”. O principal deles diz respeito à mobilidade das pessoas na distribuição de renda ao longo da vida. Se essa mobilidade for grande, é menos problemático que, por exemplo, a renda dos estratos mais baixos não esteja crescendo tanto, uma vez que as pessoas não tendem a permanecer nesses estratos mais baixos ao longo da vida.

Além disso, rendas menores nos estratos mais baixos (comparadas a rendas maiores em uma situação com maior estabilidade e menos mobilidade de renda ao longo do ciclo de vida) podem ser a contrapartida de ter a chance de conseguir rendas maiores nos estratos mais altos (comparadas a rendas menores em uma situação com maior estabilidade e menos mobilidade de renda ao longo do ciclo de vida) ao longo do ciclo de vida.

Mais oportunidades econômicas ao longo do ciclo de vida teriam como contrapartida menor estabilidade na renda e riscos de queda nesta. Promover mais segurança socioeconômica, como fazem os países europeus, de fato pode melhorar (alguns) indicadores sociais, mas nesses países os indicadores representarão situações crônicas em maior proporção que os indicadores de países comparáveis que não o façam em grande escala, mesmo que estes indicadores sejam piores, como os Estados Unidos. Estabilizar a renda das pessoas tem custos não triviais que os indicadores sociais não capturam.

Quarto, não devemos adotar o nacionalismo na análise da distribuição de renda. Se mais trabalhadores desqualificados de outros países estão ganhando uma vida melhor pela imigração, mesmo que isto transitoriamente apontasse uma piora na distribuição de renda (ou em indicadores sociais), isso deve ser encarado como positivo, não negativo. De nada adianta redistribuir muito a renda em relação à própria população quando, historicamente, pouco tenha contribuído aquela economia aparentemente “justa” na redução da pobreza global via imigração.

Um exemplo característico são os refugiados somalis na Suécia: Benny Carlson comparou as experiências de imigrantes somalis na Suécia com as daqueles em Minneapolis, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos. Somente 30% deles tinham um emprego na Suécia, cerca de metade do número dos que tinham emprego em Minneapolis. Aliás, nesta cidade americana, há 800 negócios dirigidos por Somalis, enquanto há apenas 38 na Suécia.

Além disso, uma imigração mais livre não apenas ajudaria as pessoas mais pobres do mundo por permitir que parte delas se movam para lugares com mais oportunidades e podendo mandar remessas aos seus familiares que permaneceram nos países de origem, mas também porque o PIB mundial dobraria caso a imigração fosse livre. Portanto, a imigração deve ser levada em conta ao analisar-se pobreza e desigualdade com muito mais atenção do que geralmente se faz.

Alguns podem questionar que eu omiti a variável da mobilidade de renda intergeracional, no sentido da probabilidade de que os filhos estejam na mesma faixa de renda dos pais ou que ascendam de faixa, e assim por diante.

Trata-se de uma variável relevante, mas sua importância geralmente é sobrestimada, por vários motivos, pelo que remeto o leitor ao comentário de Tyler Cowen a respeito.

Há também alguma evidência de que a mobilidade de renda de longo prazo seja relativamente baixa e significativamente estável (talvez com alguma correlação genética inclusive), mas preciso ainda ler The Son Also Rises: Surnames and the History of Social Mobility de Gregory Clark para confirmar se essa evidência é robusta mesmo ou não.

Além disso, de modo mais confirmado, sabe-se que as economias contemporâneas tendem a remunerar cada vez mais habilidades cognitivas melhores, o que, pelo aspecto inato até certo ponto destas (50% das diferenças de Q.I, a inteligência geral, entre as pessoas são correlacionadas com a diferença genética entre elas, por exemplo), levaria a um cenário de estratificação cognitiva dos empregos e da renda em conformidade com desigualdades cognitivas relativamente herdáveis que diminuiria a mobilidade intergeracional (mas não necessariamente a do ciclo de vida), e ainda assim contribuiria para maior bem-estar dos estratos de renda de menor remuneração.

Apesar disso, é importante frisar que algumas políticas governamentais em países ricos prejudicam de forma séria a mobilidade de renda intergeracional (e a do ciclo de vida) ao estimular certos fatores relacionados negativamente com a mobilidade, mesmo levando-se em conta a prosperidade desses países, o que deve ser devidamente trabalhado pela retirada desses bloqueios.

Essa análise mais nuançada sobre pobreza e desigualdade implica que o foco dos filósofos em teorias de justiça distributiva que priorizam a igualdade como objetivo são mal colocadas, se esses filósofos estão mesmo querendo saber o que seria melhor para os menos favorecidos.

Teorias de justiça distributivas alternativas, como a prioritariana ou a suficientariana, deveriam ser preferidas (como aquelas do libertarianismo bleeding heart). John Tomasi e Kevin Vallier fornecem dois pontos de vista interessantes. David Schmidtz, no livro Os Elementos da Justiça, faz uma análise muito interessante sobre desigualdade e sobre o argumento rawlsiano. Jason Brennan mostra a importância do aspecto dinâmico em Rawls’s Paradox (de forma simplificada aqui, aqui e aqui) e Matt Zwolinski mostra o porquê de justiça social ser um conceito significativo (veja texto e vídeo).

6 respostas em “Pensando desigualdade e pobreza de forma dinâmica, não estática

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  2. A minha análise anterior tinha sido exata, mas você procura contornar o incontornável. Há tantos diferentes pontos a se fazer que o maior trabalho que tive foi compactar tudo, então escrevi o mínimo possível tendo em mente a necessidade de ser abrangente:

    1- Não existe modelo europeu no sentido de que você está falando. Há modelos europeus, há o modelo escandinavo, o central, o do sul e assim por diante, além de diferenças entre os países de um mesmo modelo, então sim a Suécia possui uma classe rica particularmente estratificada, o que não muda o fato do país prover um alto nível de vida para a sua população, mas o mesmo problema não é tão verdadeiro nos outros países nórdicos e pode ser minimizado por impostos sobre herança e grandes fortunas.
    2- Os países desenvolvidos não se limitam a Europa e EUA. Os EUA gravitam para baixo no grupo como um todo em todos os mais importantes indicadores sociais.
    3- A pesquisa apontando a mutabilidade na renda possui sérios problemas, a começar por a metodologia de pesquisar gente dos 25 aos 60 porque é claro que se veria grande variação na renda delas, já que em geral as pessoas estão em lugares significativamente diferentes de quando começam no mercado de trabalho para quando terminam, e é em um lugar melhor na maioria dos casos, e pelo meio do caminho a coisa mais comum são as descidas eventuais ou permanentes, e as subidas eventuais ou permanentes, já que não é completamente linear o caminho do início menos rico até o final mais rico, então este método ridículo simplesmente ignora, por exemplo, que um garoto rico nascido com a vida pronta saia de uma grande faculdade e comece uma carreira que de início lhe dê condição mediana baixa, mas acabe como previsto e planejado no topo econômico do país depois de avançar na sua carreira, não sem antes ir pulando de segmento a segmento até o topo e enfrentar alguns percalços no meio do caminho que poderão fazê-lo retroceder em um segmento atrasando assim o seu final, mas sem eliminá-lo, então enquanto o método risório adotado pelos pesquisadores citados verá incrível mobilidade na vida desta pessoa na realidade não houve mobilidade social para essa pessoa além da natural evolução de renda que acompanha a idade. E tomar os últimos 44 anos analisando as mesmas pessoas também é problemático por ser um tempo demasiadamente longo no qual fatalmente parte da elite irá se mover para cima ou para baixo, embora o estudo tenha um sério problema de não relatar no longo prazo se a renda dos mais ricos é mais ou menos estável, só porque a pessoa saiu do 1% por um ou dois anos não quer dizer que ela está deixando o grupo dos ricos para sempre, na verdade ela provavelmente não está, existe um artigo sobre os 500 mais ricos nos EUA descrevendo como a maior parte deles ou herdou tudo ou recebeu as condições propícias para o seu enriquecimento, as listas dos mais ricos e existem pesquisas disso estão sendo preenchidas cada vez mais com os mesmos nomes, se houve mobilidade no topo é mais no passado recente do que no presente, e 44 anos também é anos em que constarão crises e recessões, o que ajuda a mostrar uma suposta mobilidade na renda, que é falso, e mesmo admitindo que haja grande mobilidade entre os 10% mais ricos nos EUA, o quê isso significa para 90% das pessoas? Para essas a mobilidade entre os mais ricos é sem valor nenhum. E eu também precisaria ver estudos similares feitos no Canadá, Coréia do Sul, na Alemanha, na Finlândia, na França e em outros países para comparar. Dito isso, existem estudos muito melhores que tomam uma perspectiva ampla sobre mobilidade social baseada na mobilidade intergeracional, isto é, na mudança entre gerações, as chances de uma pessoa que nasceu no quintil mais baixo ascender ao quintil mais alto e vice-versa e o mesmo para qualquer outra direção, e nestes estudos, que são o que realmente importa para notarmos a mobilidade social de uma sociedade, já que é ela que nos diz se há ou não estratificação social com os filhos herdando dos pais sua posição na sociedade, os EUA aparecem tendo menos mobilidade social do que um bom número de países desenvolvidos, quase todos mesmo, e entre eles se encontram vários países europeus como Reino Unido, e França a depender do estudo e sempre todos os países da Escandinávia. A ideia de que os EUA estariam compensando seus fracos indicadores sociais com mobilidade social não é verdadeira, a verdade é quase o oposto.
    4- Mesmo que os EUA possuíssem a maior mobilidade social, o que em fato eles não possuem, e mesmo que a diferença entre eles e outros países fosse significante, o que não é mesmo entre os países que realmente possuem menos mobilidade que eles, isso não faria nenhuma diferença no fato de que os EUA possuem uma sociedade que gera menor bem-estar social geral do que praticamente todos os outros países desenvolvidos. Há mais pobres nos EUA e a vida deles lá é mais difícil que os seus pares em outros países ricos, e não há nada de passageiro em maiores taxas de mortalidade. E não são alguns indicadores sociais, são os indicadores sociais que compõem o mais abrangente quadro para analisarmos o desenvolvimento humano e a qualidade de vida dentro de uma sociedade, o tal europeu sobretaxado, especialmente no Norte, vive objetivamente melhor e subjetivamente também se levarmos em conta os índices de confiança e felicidade que por sua vez podem estar relacionados a realidades bem práticas como a inacreditável quantidade de dívida a que os jovens universitários americanos estão submetidos, o maior tipo de dívida daquele país, e a inacreditável quantidade de pessoas que vão a falência por custos de saúde e possuem suas finanças de toda uma vida destruídas, o principal motivo para as pessoas irem a falência naquele país, além de outros fatores estressantes que complicam a vida de uma proporção muito maior de americanos do que de cidadãos na maioria dos outros países avançados.
    5- Comparar imigrantes na Suécia com os imigrantes de um país em uma cidade nos EUA? Dificilmente podemos encontrar uma comparação mais desprovida de qualquer sentido. Porque os EUA são um país imenso você encontrará toda sorte de experiências por parte de imigrantes e sim por vezes eles conseguem se estabelecer bem em uma comunidade e a na maioria das vezes não. Em geral nunca é fácil a absorção de grandes quantidades de imigrantes com pouca educação e habilidades, sem estrutura posta para recebê-los, e diferentes valores e características culturais do que a população original de um particular Estado, então eles sempre se constituem em um caldeirão de problemas sociais, entre os quais se encontram uma maior taxa de desemprego, agora, qual país lida melhor com isso eu não sei, mas tenho certeza que não é os EUA que afinal sustentam indicadores sociais de suma importância inferiores a países com populações de imigrantes maior do que ele como Suécia, França e Canadá, sendo que o Canadá mantém leis de imigração muito mais abertas do que os EUA, com a Suécia é provavelmente o mesmo, já a França eu não sei.
    6- Desigualdade não é um facilitador de crescimento econômico, e definitivamente não é um facilitador de desenvolvimento socioeconômico, nenhum dos países mais desiguais do mundo está entre os países com maior crescimento do mundo, vários dos países extremamente desiguais possuem parco crescimento, indicando que a desigualdade em certo nível é prejudicial ao crescimento econômico, por outro lado, vários países pobres com menos desigualdade estão crescendo muito, dentre eles Índia, mas também Indonésia, Etiópia, países do Leste Europeu e do antigo bloco comunista na Ásia. Nenhum país desenvolvido possui níveis de desigualdade que se comparam aos países mais desiguais do mundo, e principalmente nenhum país alcançou o posto de país desenvolvido com altas desigualdades, muito da atual desigualdade que o mundo desenvolvido está sofrendo é recente, vindo de algumas décadas de crescimento econômico com ganhos extremamente desiguais. Seja porque pobres consomem mais de sua renda do que os ricos, sendo, portanto, inteligente deixar com os pobres uma maior fatia da renda nacional para aumentar o consumo e estimular a produção, ou porque em longo prazo a pobreza e a falta de oportunidades adequadas estão despindo a sociedade de talentos e potenciais desperdiçados que poderiam ser mais bem aproveitados, a desigualdade pode ser vista como um fator negativo ao desenvolvimento econômico.

    Fontes…
    Sobre mobilidade social:

    Um impressionante artigo da década de 50 derrubando tanto o mito da alta mobilidade social na sociedade americana quanto da estratificação social da Europa:
    http://www.commentarymagazine.com/article/the-study-of-manclass-and-opportunity-in-europe-and-the-u-s/

    Desde então os dados se tornaram muito mais disponíveis e sofisticados e mudanças importantes na economia e sociedade destes países ocorreram.

    Página para o resumo e o acesso ao recente estudo da OCDE:
    http://www.oecd.org/economy/obstaclestosocialmobilityweakenequalopportunitiesandeconomicgrowthsaysoecdstudy.htm

    O documento em si:
    http://www.oecd.org/eco/public-finance/chapter%205%20gfg%202010.pdf
    O estudo basicamente pesa a influência que a educação e o salário dos pais possuem sobre a educação e o salário dos filhos, bem como a influência que a situação socioeconômica dos pais possui sobre o desempenho escolar dos filhos.
    Os EUA estão agrupados com os países europeus com menor mobilidade social como Grã-Bretanha e Itália.

    Um artigo citando vários estudos similares que desbancam o mito da mobilidade social nos EUA:
    http://www.huffingtonpost.com/howard-steven-friedman/class-mobility_b_1676931.html

    Sobre a relação interdependente de mobilidade social e crescimento econômico:
    http://www.brookings.edu/research/opinions/2013/08/16-economic-case-social-mobility-reeves

    E por fim um artigo que se direciona a minar o especificamente bizarro artigo do New York Times que você postou:
    http://www.msnbc.com/msnbc/us-social-mobility-problem

    Veja que as minhas dúvidas ao estudo são feitas aí.

    A noção de que uma sociedade com um abrangente sistema de segurança social seria necessariamente uma sociedade estratificada enquanto que para uma sociedade possuir alta mobilidade social ela teria que ter apenas uma rede básica de segurança social, está simplesmente errada, assim como noções semelhantes sobre a incompatibilidade de um abrangente sistema de segurança social e dinamismo econômico, a Escandinávia de fato é líder mundial em pesquisa, desenvolvimento e inovação, além de ranquear no topo do índice de competitividade global.

    Sobre os indicadores sociais de que falo…

    Vou passar as páginas do Wikipédia porque já está tudo organizado, mas aí você pode ir conferir as fontes:

    Expectativa de vida:
    http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_life_expectancy

    Mortalidade infantil:
    http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_infant_mortality_rate

    Mortalidade Materna:
    http://en.wikipedia.org/wiki/Maternal_death

    Homicídios:
    http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_intentional_homicide_rate

    Encarceramento:
    http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_incarceration_rate

    Estudo sobre o bem-estar das crianças feito sob uma série de medidas pelo UNICEF:
    http://www.unicef.org/media/files/ChildPovertyReport.pdf

    Artigo sobre o PISA:
    http://www.theguardian.com/news/datablog/2013/dec/03/pisa-results-country-best-reading-maths-science

    Estudo:
    http://www.oecd.org/pisa/keyfindings/pisa-2012-results-overview.pdf

    Sobre o sistema de saúde nos EUA, aí está uma série muito bem feita sobre vários pontos e feita por quem realmente sabe do que está falando:

    http://theincidentaleconomist.com/wordpress/how-do-we-rate-the-quality-of-the-us-health-care-system-conclusion/

    O único problema é que ele reuniu um número pequeno de países para a comparação.

    Outro estudo comparativo:
    http://www.commonwealthfund.org/publications/fund-reports/2014/jun/mirror-mirror

    Um artigo um tanto exagerado sobre as formas com as quais os EUA se parecem com um país de terceiro mundo, mas que é pertinente ao tema:

    http://www.rollingstone.com/politics/news/six-ways-america-is-like-a-third-world-country-20140305

    Ele cita as grandes cidades violentas nos EUA com índices comparáveis a grandes cidades americanas e as regiões do país em que a falta de cuidados médicos básicos é um gravíssimo problema.

    Como eu disse no geral os EUA não deixam de possuir um alto desenvolvimento humano, mas dado a sua altíssima renda existe uma óbvia perda de potencial desenvolvimento humano que ocorre devido a ruim distribuição e alocação de seus recursos. Em outros países, de renda alta, mas não tão alta, e de melhor distribuição e alocação de recursos, o desenvolvimento humano é quase inteiramente realizado em seu potencial.

    Observações:

    Não há contradição entre igualdade e renda, pois vários dos países tops PIB per capita como Noruega, Suíça, Holanda, Áustria, Alemanha, Suécia, e Dinamarca outros estão entre os países top igualdade também tanto se olharmos para todo o mundo quanto para o particular mundo desenvolvido.

    Eu não vi um bom motivo para considerar a mobilidade social intergeracional menos importante do que a mobilidade ao longo da vida, na verdade tal coisa não faria nenhum sentido. A mobilidade entre as gerações é o que importa, até porque se em um país possui mais mobilidade entre gerações do que outro é esperado que a mobilidade de renda durante a vida vá seguir isso.

    Precisamos ver as coisas do ponto de vista nacionalista porque é assim que nos organizamos. Ninguém vive no mundo, vivemos em países, o que cada um de nós possui direito a, quais são as nossas perspectivas, o que possuímos como base material para construir a nossa vida, qual é a qualidade de nossa vida e como nos definimos e somos definidos por nossa comunidade, entre outras coisas, são coisas profundamente relacionadas ao país em que estamos. Imigrações em massa e sem nenhum controle iria apenas alcançar o efeito de exportar os problemas dos países pobres para os países ricos, se não fizesse pior, com a completa obliteração dos sistemas e instituições que fazem dos países ricos os países ricos, a política mais prudente é aceitar imigrantes na medida em que o país for capaz de integrá-los a sua sociedade, além do mais, a irrestrita imigração seria considerada inaceitável por qualquer população do mundo, é em fato incrível que existem países como Canadá e Suécia, considerando que somos naturalmente tribais, característica que não aparenta estar em desaparecimento, embora tenhamos evoluído bastante, mas continuamos naturalmente temendo os estrangeiros e diferentes, os facilmente vemos como ameaçadores a tribo e a nós mesmos, não é por nada que políticos fazem campanha e vencem campanhas nos EUA e na Europa através da plataforma de anti-imigração, os partidos anti-imigrantes na Europa e por vezes declaradamente de extrema-direita estão com tudo ultimamente, uma leva de imigrantes sem controle provavelmente fariam os neonazistas chegarem ao poder em todos os países europeus. Dobrar o PIB? Estudo questionável, eu vou ter que dar uma olhada melhor depois, mas se você realmente está sério sobre pensar a pobreza globalmente então existem várias formas muito mais efetivas, muito mais possíveis politicamente e com muito menos danos colaterais de lidar com ela do que permitir a imigração sem controles, todas elas passam pela realização de investimentos que construam a infraestrutura física e social para gerar durável desenvolvimento nos países pobres.

    Muito do problema do seu argumento é que você implica uma série de coisas que não são verdade.

    Sociedades mais desiguais tendem a terem que lidar com maiores taxas de pobrezas e países mais desiguais e com mais pobres tendem a possuírem menor mobilidade social e a possuírem também maior pobreza crônica, formada por pessoas incapazes de sair da pobreza durante a sua vida e que por muitas vezes acabam passando tal condição para os filhos, é o caso dos EUA, Reino Unido e Portugal, desiguais e problemáticos nestes sentidos. Subir um degrau é mais fácil do que dez, além de toda a problemática de segregação habitacional e degradação de bens e serviços públicos e privados que grandes disparidades sociais provocam e dificultam a mobilidade social por dificultarem o acúmulo de capital social pelos mais pobres, e também não podemos descartar a intolerância e preconceitos que costumam serem mais disseminados em sociedades que são mais caracterizas por grandes diferenças de status social.

    Desigualdade pode facilmente ser visto como um fator que mina a qualidade de vida de uma dada sociedade. Há um livro do Richard Wilkinson falando sobre como sociedades mais iguais se saem melhor, embora eu veja problemas na sua metodologia com escolhas convenientes para evitar ter que lidar com certas exceções e complexidades, o cerne do fenômeno de que ele fala, de que desigualdade provoca problemas psicossociais nas sociedades parece-me relevante e verdadeiro. Sabemos que as sociedades mais desiguais do mundo desenvolvido, seja EUA, Reino Unido, Portugal ou Grécia, de diferentes níveis de renda, não se saem tão bem quanto seus pares mais igualitários, sejam o Canadá na América do Norte ou o Norte na Europa, em termos de resultados em seus sistemas educacionais e de saúde, o bem-estar geral das crianças, ou até mesmo criminalidade, já que em geral as sociedades que sustentam baixos níveis de homicídios e baixos níveis de encarceramento e policiamento, demonstrando a parca necessidade de ostensiva repressão, serão as sociedades menos desiguais.

    Desigualdade mina a coesão social de uma sociedade, destruindo o sentimento de pertencimento ao grupo necessário a boa e próspera convivência social, a desigualdade também é um fator que denigre a democracia. Em uma sociedade extremamente desigual os ricos sequestrarão o sistema por não haver melhor balanço de poder na sociedade, não porque os ricos são ruins, mas porque é a natureza humana abusar e estender o seu poder, daí porque ser necessário o estabelecimento de um sistema que nunca conceda poder demais a ninguém, e grandes desigualdades fazem isso. Os rankings de liberdade de imprensa, qualidade da democracia e pacifismo já nos demonstram isso, com as sociedades menos desiguais como os países nórdicos saindo no topo de todas essas classificações, juntamente com outros países como Holanda e Suíça, mas vejo que muitas vezes esses rankings são incapazes de tomar nota de coisas como a completa dissociação entre vontade popular e políticas que ocorre nos EUA, por exemplo.

    E há um sério problema no argumento de que se as pessoas pobres estão ficando mais ricas então está tudo bem, não temos mais nada a solucionar. Se pegarmos a renda média de muitas sociedades ricas, especialmente os EUA, mas mesmo sociedades menos desiguais como Canadá e outras na Europa vemos que as últimas décadas foram de crescimento econômico extremamente desigual, com a maioria dos ganhos indo para o topo e poucos sendo bem distribuídos para a classe média e os pobres, nos EUA existe até perda de renda ajustada a inflação para vários grupos no decorrer dos últimos anos. Então se ajustarmos pela inflação nós vemos que durante muitos anos a renda da classe média se estagnou, sendo que no prazo de décadas houve para os pobres e para a classe média ganhos extremamente modestos, particularmente para os primeiros. Ora, estes modestos ganhos, essa ínfima participação no crescimento econômico da sociedade pelos mais pobres não pode ser justificada simplesmente pelo fato de que eles tiveram alguma participação. Claro que eles teriam uma participação, eles a teriam de qualquer jeito, em qualquer sociedade crescendo e todas as sociedades estão crescendo a exceção daquelas em crise e recessão, os mais pobres irão possuir ganhos absolutos e até mesmo pequenos ganhos relativos ao longo de um bom tempo, entretanto, o problema aqui é o que eles deixaram de ganhar caso os ganhos do crescimento econômico pelo qual passaram essas sociedades tivessem sido melhores distribuídos. Então se argumenta, absurdamente, que esta foi a única forma, que este crescimento desigual cuja parcela pobre da população ganhou muito pouco era a única forma de a sociedade crescer de qualquer jeito, do contrário, não haveria nenhum ganho e os pobres teriam mais nada, o problema é que isto é falso, sabemos de crescimentos, seja no passado ou no presente, que foram muito menos desiguais, nos quais a parcela média da população se beneficiou mais do que os ricos e no qual a parcela pobre da população se beneficiou mais do que a população média, resultando em geral e compartilhada prosperidade a partir do crescimento da sociedade, mesmo entre os países ricos houve diferenças em quão desigual foi seu crescimento recente, portanto sabemos que é possível haver crescimento com distribuição, sendo assim este deve ser o nosso objetivo. Nem todo crescimento vai beneficiar os pobres e a classe média da mesma forma, entre um crescimento total maior que lhes conceda ínfima participação e crescimento total menor que lhes concede maiores ganhos, este último lhes seria preferível, então a forma como o crescimento é distribuído também importa, e o fato dos pobres terem ganhado algo não justifica eles perderem mais e mais a sua parcela da renda nacional, que poderia ser mantida ou aumentada caso se optasse por um crescimento mais equitativo, e em longo prazo este tipo de crescimento resultará em problemas de endividamento de uma classe média que se endivida para manter seus padrões de vida (boa parte da razão da última crise), da falta de demanda porque não há mais uma classe consumidora tão forte, da contínua perda em termos de potencial humano, entre outras coisas que citei como sendo negativos resultados da desigualdade, além do mais, o bem-estar econômico é visto pelas pessoas mais em termos relativos do que absolutos.

    http://www.oecd.org/social/soc/41494435.pdf
    Acima está um resumo do estudo da OCDE que pontua como a desigualdade tem aumentado no mundo desenvolvido e como a pobreza crônica tende a ser um problema maior nas sociedades mais desiguais. Eu concordo apenas parcialmente com a conclusão, concordo que mais investimento em educação e treinamento é necessário, mas entendo que eles subestimaram os gastos sociais na resolução da pobreza, depende do tipo de gasto social de que falamos, mas existem aqueles que são efetivos em combater a pobreza e o estudo também ignora que aliado a isso existe a questão da tributação progressiva e imposto top que também contribui de sobremaneira para a diminuição das desigualdades.

    Finalmente…

    Evidências sugerem não só que desigualdade não é um fator positivo para crescimento econômico, mobilidade social e desenvolvimento, sendo que elas quase sugerem o contrário, como por variados motivos além destes a ideia de uma sociedade mais igualitária parece ser uma boa ideia por si mesma. O fato é que alta desigualdade dificultará a um país atingir alta renda e uma vez que a alta renda seja atingida, a forma como ela é distribuída e alocada possui muito mais relevância nos indicadores sociais do que quão alta ela é, a partir de certo nível de renda o aumento da renda em si não parece melhorar a vida das pessoas para além do necessário aumento para que a prosperidade seja mantida, uma melhor distribuição e alocação dos recursos farão maior diferença.

    • Ferraro, não leve a mal, mas o modo como você está debatendo o assunto deixa a conversa bastante travada. Você pode ser mais conciso. Você não precisa repetir o tempo todo que você reconhece que essas questões são complexas (já entendemos que você pensa assim). Você não precisa ficar voltando para as mesmas coisas que já tinha dito. Você não precisa pegar pontos tangenciais (como eu ter falado em ‘modelo’, e não em ‘modelos’) e se focar nisso, sendo que isso aqui é uma conversa simples.

      Tudo o que você falou parte de premissas e ideias compartilhadas entre pessoas mais instruídas que defendem a intervenção do Estado na economia, oriundo de certa posição política que vê os nórdicos como o fim último humano de sociedade bem-sucedida. Não são argumentos que eu desconheça. São argumentos que, vez ou outra, repercutem na mídia dos ‘liberals’ dos Estados Unidos.

      O problema aqui é que você realmente subestima a razoabilidade de interpretações diferentes de dados e/ou outros dados que pudessem questionar esses nexos diretos que você está fazendo em relação a esses pontos. O mais fácil é dizer que, se um indicador está mais ruim que outro, o país adota uma política pior do que a outra. O problema é que o fácil pode ser enganador.

      Apesar desse apontamento geral, vou me abster de responder em detalhe suas colocações. Não acredito mais que isso chegará a algum lugar, apenas tendendo a tornar-se um debate interminável. Até.

      • Ok, eu não levo a mal, eu sei que preciso aprimorar minhas habilidades de conversação, ser mais compacto e menos repetitivo, e como eu disse este é o seu blog e não quero incomodá-lo, eu até estive em dúvida sobre postar algo, pois eu sabia que um blog não é tão adequado quanto um fórum para esse tipo de debate, mas como gostei muito de seus textos, de sua escrita e o seu esforço em se manter racional e baseado em dados, eu não me contive, mas deixe-me fazer um último comentário…

        Quando eu apontei que existem modelos europeus eu fiz porque não creio ser algo sem importância. Muitas pessoas realmente pensam na Europa como uma sociedade homogênea, e existem características em comum, claro, mas também existe muita diversidade. É por isso que quando debatemos e alguém joga a Europa na conversa se faz necessário um melhor esclarecimento sobre de que Europa se está falando. Se fôssemos prosseguir com a conversa tal esclarecimento era necessário.

        Sobre outros terem feitos os argumentos que escrevi, eu nunca reivindiquei a criação de qualquer teoria revolucionária aqui, até agora eu me mantenho apenas como alguém que se informa lendo o que economistas, cientistas políticos, historiadores, sociólogos e organizações internacionais dizem ou deixam de dizer, mas lhe digo que eu não me furto de ler o outro lado também, é por isso que estou aqui neste blog, é por isso que li vários dos seus textos e neste debate e em todos os textos que já li aqui eu fui ou ao menos tento ir a todos os links que você passou para que eu possa ler os estudos e artigos a que você direciona o leitor.

        Não creio que o modelo nórdico seja o fim último, há problemas nele também, e não sou tão rápido em dispensar as vantagens dos outros modelos de Estados sociais. Além disso, tudo está em constante mudança, a economia, o Estado, e a forma como escolhemos organizar a nossa sociedade está mudando. Entendo também que no final do dia essa discussão entre nós vai bater em uma fundamental discordância sobre como visualizamos a nossa sociedade ideal ou quase ideal e quais são os nossos princípios morais e filosóficos.

        Sobre outras interpretações e dados, eu quero dizer que embora eu não espere que você concorde comigo sobre minhas conclusões, eu realmente espero que você reflita sobre os dados e argumentos que fiz, eles são um caso bem convincente contra alguns argumentos e dados que são, e desculpe-me a franqueza, claramente equivocados. Por exemplo, a ideia de que a sociedade americana é socialmente móvel enquanto a sociedade européia, particularmente os países de altos gastos públicos, não o é, é claramente um mito. Eu trouxe um artigo da década de 50 apontando que não havia diferenças e em seguida postei estudos da OCDE e artigos apontando para a maior mobilidade social entre gerações em vários países europeus do que nos EUA.

        Eu também expliquei bem porque a metodologia para se avaliar a mobilidade do estudo que você passou é claramente errada e que a mobilidade social entre gerações é realmente a única forma de avaliarmos quanta oportunidade para subir as escadas uma sociedade oferece.

        Que os países mais desiguais crescem pouco ou que os EUA, Reino Unido, Portugal e Grécia, os mais desiguais do mundo desenvolvido não brilham em indicadores sociais, e possuem maior pobreza em geral e maior pobreza crônica, também são fatos simples de serem entendidos.

        Sobre a temerosa causalidade, eu concordo que aqui que nos deparamos com o problema, pois como já é clichê declarar, correlação não implica causalidade. E estamos no campo das ciências sociais e não exatas, então não é possível declarar decididamente uma verdade científica e rejeitar todas as outras interpretações como sendo nulas. Mas não é por isso que nós não devemos nos policiar em busca das interpretações que mais carreguem o contato com a realidade. Então, por exemplo, sobre a relação entre desigualdade e mobilidade, esta é uma relação que a OCDE faz, obviamente ela faz isso por ver uma correlação entre ambas, mas também porque existem ótimos motivos para acreditar que isto é verdade, existem muitos subsídios para este ponto, alguns dos quais eu comentei anteriormente.

        Sabe, recentemente vi um vídeo feito para desbancar outro vídeo sobre a desigualdade de riqueza nos EUA que se tornou viral na internet, e nem precisei chegar a metade do vídeo de refutação para perceber que o cara estava certo e o pessoal que fez o vídeo sobre a desigualdade de riqueza nos EUA cometeram erros grosseiros ao confundirem desigualdade de renda com riqueza e falharem em perceberem que toda sociedade moderna funciona com alta desigualdade de riqueza, pois além, de possuir uma casa própria, a maioria das pessoas não possui e nem precisa possuir muito mais.

        Então é isso, só espero que você mantenha a mente aberta como eu tento manter a minha.

      • Dê uma relida no que eu escrevi. Eu em nenhum momento disse que os Estados Unidos tinham maior mobilidade intergeracional que os países europeus, eu sei que este não é o caso. Foi por isso que falei na mobilidade de ciclo de vida, que é contraposta à ideia de segurança socioeconômica. Vou descumprir o que eu disse só uma vez (sobre não continuar mais esse debate em específico), mandando esse link: http://marginalrevolution.com/marginalrevolution/2012/01/why-economic-mobility-measures-are-overrated.html

        Prossigamos estudando! Até.

  3. Pingback: Quais desigualdades importam? | Tabula (não) Rasa & Libertarianismo Bleeding Heart

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