Gênero é construção social – mas a biologia importa também

No último dia 11, Eli Vieira escreveu um texto denominado “Por que gênero não é construção social”. Concordo com a importância de estudar empiricamente o gênero e os comportamentos associados, contudo, acredito que seu texto erra no ponto central, ao negar que gênero seja uma construção social. O objetivo do presente artigo é mostrar por que o gênero é sim um construto social, mas que a biologia importa também.

  1. O que é construção social?

Eli parafraseia a noção de construção social como entendida por Paul Boghossian:

“o que se quer dizer quando se alega que uma coisa é socialmente construída é que ela foi criada intencionalmente por uma sociedade em particular para atender a seus próprios interesses, e é contingente aos caprichos dessa sociedade de tal forma que essa coisa não existiria de outro jeito (não existiria, por exemplo, se essa sociedade tivesse interesses diferentes, ou se a construção tivesse sido feita por uma sociedade diferente).”

É essa forma de entender a construção social em que Eli sustenta todo o seu argumento. Contudo, não é a única forma de entender essa questão e, portanto, é menos incontroversa do que Eli parece supor.

Enquanto ficará faltando aqui uma discussão mais aprofundada da análise de Boghossian, o modo como Eli entende essa noção a partir dele parece-me demasiado “convencionalista”. Algo é apenas um construto social quando dele podemos afirmar que o usamos por uma convenção arbitrária. Mas mesmo o exemplo usado por Eli de construto convencional (dinheiro) pode ser questionado.

Nós determinamos o que o dinheiro é por pensar que ele é X ou Y? Em um certo nível (que Eli parece estar se referindo), sim, uma vez que nós determinamos que coisa contará como dinheiro em nossa sociedade, por exemplo, o real ao invés do dólar, o papel-moeda ao invés do ouro, e assim por diante. Mas em outro nível podemos perguntar o que todas essas coisas (dólar x real, papel-moeda x ouro, etc.) tem em comum que as fazem “ser dinheiro”. E podemos empregar o conceito da economia: é dinheiro tudo aquilo que é um meio comumente usado de troca e uma medida e reserva de valor (Mason, 2016).

Portanto, mesmo um construto social como o dinheiro não é ontologicamente determinado por nossos desejos e vontades arbitrários. O construto “dinheiro” possui uma natureza que é independente de nós, mesmo enquanto sejam nossas práticas de troca que fazem objetos particulares (como papel-moeda ou ouro) serem instâncias dessa categoria.

Uma objeção possível aqui é que “dinheiro” é um termo criado pelas sociedades humanas para designar certas coisas, logo não pode ter uma natureza independente das convenções linguísticas e, nesse sentido, sua natureza seria definida convencionalmente. Contudo, tal objeção tende a provar demais: “água” também designa certas coisas (um líquido transparente que tomamos quando sentimos sede, que encontramos nos mares e rios, e assim por diante) como um termo criado por convenções linguísticas, mas aquilo a que a água se refere e que foi descoberto cientificamente, H20, não é convencional. Perceba que a natureza da água é ser H20. Portanto, é trivial que qualquer termo da linguagem dependa de certas convenções gramaticais, mas o objeto da referência de um termo não precisa ser ele mesmo constituído convencionalmente.

Outra questão que se costuma confundir nesse debate é que dizer que algo é socialmente construído é dizer que não podemos falar objetivamente sobre esse algo ou que esse algo seja uma ilusão irreal. Não há essa conexão necessária entre esses tipos de afirmação.

Por exemplo, dentro da filosofia da raça, a afirmação de que raça é uma construção social contrapõe-se à visão cética de que raça não existe. Afirmar que raça é uma construção social significa afirmar sua existência como entidade real, mas que não é fundada em diferenças genéticas (Mallon, 2013). Para seguir a linha de raciocínio, se o construto “raça” for social, isso produz diferenças reais para as pessoas rotuladas como sendo de certa raça socialmente subordinada, levando-a a ser tratada diferencialmente pelas pessoas com consequências negativas, e isso pode afetar mesmo sua biologia (por exemplo, se uma dessas consequências negativas for a maior exposição a certas doenças na infância).

Khalidi (2015) defende uma visão naturalista dos “tipos naturais” segundo o qual estes são todas aquelas categorias que nos permitem fazer inferências causais, e é pela ciência empírica que descobrimos quais categorias são aptas para isso. Se seguirmos essa abordagem, podemos concluir que “tipos sociais” (que são construtos sociais) também podem contar como tipos naturais na medida em que nos permitem fazer inferências causais. Assim apenas os construtos sociais que fossem efetivamente convencionais é que não contariam como tipos naturais, por serem desprovidos de propriedades causais em seu próprio direito.

David Sloan Wilson (2005) introduz uma distinção interessante entre construtivismo social radical e construtivismo social moderado. O construtivismo social radical endossa a tese de que “tudo é possível” em relação às práticas humanas, ou seja, estes variam de forma ilimitada sem nenhum mecanismo discernível. Em contraste, o construtivismo social moderado endossa a tese de que o comportamento humano é flexível e, portanto, varia em diferentes ambientes, mas que a direção, a magnitude, entre outras variáveis, dessa variação pode ser predita por meio de um mecanismo (que, portanto, restringe as formas que essa variação pode assumir). Para Wilson, enquanto o construtivismo social radical é incompatível com a ciência evolucionista do comportamento humano, o moderado é perfeitamente compatível, sendo sua veracidade uma questão de constatação empírica.

Para mais discussões sobre como construção social pode ser entendida naturalisticamente, recomendo “Naturalistic Approaches to Social Construction” (2013), por Ron Mallon.

  1. O que é gênero?

Em nenhum momento Eli chega a definir o que ele entende por gênero. Então, é difícil saber se ele têm em mente que os estudos de gênero costumam distinguir entre sexo biológico e gênero. O sexo biológico é uma categoria natural, enquanto o gênero é uma categoria social. O quanto gênero e sexo são conectados necessariamente seria uma questão empírica.

O sexo biológico é definido pelos cromossomos sexuais e pelos diferentes caracteres sexuais primários e secundários. Sua origem está na reprodução sexuada e define alguns organismos como “macho” e outros como “fêmea”. O macho e a fêmea da espécie humana têm diferentes potenciais reprodutivos: enquanto a fêmea arrisca-se a passar por uma série de transformações corporais que levam ao nascimento de uma criança e que a deixam temporariamente inapta à concepção de um novo filho, o macho não passa por nenhuma dessas circunstâncias. Portanto, a reprodução é biologicamente mais custosa para a fêmea que para o macho, e essa diferença é chave para a teoria das estratégias sexuais dentro da psicologia evolucionista (Buss, Schmitt, 1993).

O gênero é definido pelas diferentes expectativas e papéis atribuídos aos machos e às fêmeas da espécie humana, atribuindo a uma série de traços e comportamentos a característica de ser “masculino” e “feminino”. Ou seja, o gênero possui uma conotação normativa dentro de uma dada sociedade, como aquilo que é próprio ao homem e aquilo que é próprio à mulher, mas também preditiva, como aquilo que se espera do homem e como aquilo que se espera da mulher. Sua eficácia preditiva depende do quanto as pessoas de cada gênero realmente correspondem ao comportamento prescrito e/ou previsto como sendo aquele do seu sexo biológico. Sua origem é controversa, mas endosso a posição segundo a qual essa diferenciação por gênero está relacionada com a divisão do trabalho como propiciada originalmente por certas diferenças biológicas básicas (homens tendem a ser mais fortes fisicamente que mulheres e a reprodução é mais custosa para as mulheres do que para os homens) e pelo potencial de monopolização/dominância de recursos pelos homens em prejuízo das mulheres. É uma posição semelhante à do feminismo radical (Reilly-Cooper, 2015), mas também da teoria construtivista biossocial (Eagly, Woody, 2012) e corroborada dentro da ecologia comportamental humana (Mulder, Laland, Brown, 2009): a desigualdade (hierarquia) de gênero é maior ou menor conforme varia a estrutura da família e a distribuição dos recursos e as sociedades com menor desigualdade de gênero apresentam menores diferenças comportamentais entre os sexos (Mace, Jordan, 2011; Hyde, Petersen, 2010; Eagly, Woody, 1999).

Enquanto não concorde totalmente com a teoria construtivista biossocial (por aceitar maiores diferenças inatas em alguns traços comportamentais e cognitivos entre os sexos que as autoras dessa teoria parecem admitir, por exemplo, em relação à maior tendência masculina ao comportamento sexual promíscuo, como revisei em meu texto “A psicologia evolucionária não implica que homens preferem mais o sexo que as mulheres”, 2014, e “Mulheres com múltiplos parceiros sexuais e as hipóteses darwinistas sobre o acasalamento”, 2015), o esquema dessa teoria é muito útil para entender como o gênero surge a partir do sexo biológico por intermédio de processos de construção social.

gênero

(Eagly, Woody, 1999)

Dito isso, parece-me que não está claro por qual critério Eli pode diferenciar entre “gênero” (ou o “cerne não socialmente construído do gênero”), de um lado, e “algumas coisas associadas como papéis e expressões de gênero” (ou “propriedades auxiliares socialmente construídas”), de outro. Uma clarificação analítica da relação entre sexo biológico e gênero seria mais elucidativa do que essa distinção entre cerne e propriedades auxiliares do gênero.

  1. O gênero é socialmente construído ou biologicamente determinado?

Eli apresenta de forma bastante clara a razão que ele encontra para não considerar gênero como construção social: “o gênero em si não é construção social – porque culturas diferentes chegam a categorias similares de gênero com base em diferenças naturais no corpo e no comportamento”.

Dada a discussão das duas seções anteriores, já é possível ver problemas com essa formulação. Primeiro, porque a diferença natural entre os sexos biológicos nos caracteres corporais de nenhuma forma exclui a construção social do gênero, ao contrário é assumido por algumas das teorias construtivistas. Segundo, porque Eli menciona rapidamente que existe evidência para diferenças inatas em comportamento entre pessoas de diferentes sexos sobre as quais as categorias de gênero poderiam se basear, mas não menciona a evidência para quanto o uso social das categorias de gênero causa diferenças em comportamento entre pessoas de diferentes sexos (tal como exemplificado acima pela menor diferença entre os sexos conforme a maior igualdade de gênero de uma sociedade). Terceiro, mesmo se diferenças comportamentais tem um componente inato, Eli poderia concordar (acredito pelo menos) que categorizar um comportamento estatisticamente médio das mulheres como sendo “comportamento de mulher, não de homem” é um erro de categorização, uma vez que vai do nível descritivo (comportamentos onde o sexo biológico é um fator preditivo) para o prescritivo (comportamentos definidos como próprios a um gênero e impróprios a outro), além de esquecer que a diferença em médias ainda significa que, para dado traço, a maioria de homens e mulheres se sobrepõe na distribuição daquele traço.

Uma forma interessante de ver como a influência genética não impede a construção social é examinar o caso da orientação política. A orientação política de uma pessoa também é parcialmente herdável, no sentido de que parte da diferença entre as pessoas em orientação política é atribuível à diferença genética entre elas (Funk et al, 2009; Funk et al, 2013; Hatemi et al, 2014). Além disso, diferenças em orientação política correlacionam-se com diferenças em outros traços humanos muito mais básicos, como personalidade, fundamentos morais e uso de raciocínio analítico versus holístico (Jost et al, 2008; Hirsh et al, 2010; Haidt et al, 2009; Haidt et al, 2014). Por outro lado, parece muito estranho dizer que algo como “ser liberal” ou “ser conservador” ou “ser comunista” e assim por diante seja “natural”. Durante milhares de anos de história escrita sequer existiam essas orientações políticas. Claramente a orientação política seria algo construído socialmente porque orientações políticas são ideias sobre como a sociedade deve ser, e essas ideias foram criadas historicamente.

Como resolver esse quebra-cabeça? A questão é perceber que a influência genética e o aprendizado social não precisam ser excludentes, mas complementares. Nós podemos explicar como as ideias políticas surgem e são adquiridas pelas pessoas por meio de processos de evolução cultural baseada em vieses de imitação e de aprendizado social (Bandura, 1971; Henrich et al, 2008). Ao mesmo tempo, podemos investigar como a genética afeta a probabilidade de uma pessoa assumir certa posição em relação à média dos demais e/ou em relação à média de uma escala, quaisquer que sejam as efetivas ideias que preenchem essas posições em uma dada sociedade. Por exemplo, supondo que uma pessoa tenda a ser “do centro” hoje por razões genéticas, isso significa que ela teria tendido a ser “do centro” há 100 anos atrás ou tenderia a ser “do centro” daqui há 100 anos, mas o que é ser “do centro” é diferente hoje do que foi há 100 anos atrás e do que será daqui há 100 anos.

Um raciocínio muito similar pode ser aplicado à questão do gênero. Por exemplo, Eli menciona que “[h]á evidência de que homens e mulheres fazem em média decisões de carreira diferentes, mesmo em sociedades igualitárias”. Isso pode ser explicado por uma diferença inata voltada para carreiras específicas, mas isso é bastante improvável, uma vez que as carreiras modernas são muito diferentes daquilo que poderia ter evoluído no contexto de nossos ancestrais caçadores-coletores. Alternativamente, poderíamos postular que essa diferença, então, se deve a características mais gerais, por exemplo, preferência média por trabalhar com coisas versus pessoas, e essa preferência é melhor satisfeita ou não conforme carreiras foram historicamente sendo construídas para terem mais ou menos dessas coisas, ou o quanto determinada carreira necessita ter mais ou menos dessas coisas. Contudo, outra alternativa é que pessoas tenham um viés de preferir trabalhar com pessoas que sejam parecidas com elas se essa opção estiver disponível e não for muito custosa, e por qualquer que seja o motivo (genético ou não) as pessoas tendem a ser mais parecidas com ou acharem mais parecidas pessoas do seu próprio sexo do que aquelas do sexo oposto, e mesmo nas sociedades mais igualitárias ainda há tratamento desigual (explícito ou implícito) por gênero.

Dado o quadro acima da teoria construtivista biossocial do gênero, também é possível perceber que mesmo diferenças cerebrais entre os sexos não necessitam ser evidência de diferenças inatas entre os sexos. Por uma questão simples de superveniência (uma espécie de relação metafísica), não há diferenças mentais sem diferenças físicas. Portanto, cérebros que respondem de forma diferente dado os mesmos ambientes apresentam diferenças físicas trivialmente. Mas essas diferenças físicas podem originar-se no desenvolvimento infantil conforme o cérebro é calibrado para circunstâncias ambientais específicas, e uma destas pode ser o quão categorias de gênero afetam o modo como as pessoas são tratadas, recompensadas, punidas, e assim por diante.

Por fim, eu concordo com a pesquisa de Daphna et al (2015; vejam também as réplicas dela aos comentários críticos, Daphna et al, 2016a; 2016b) segundo a qual os cérebros humanos são melhor caracterizados como intersexuais do que como masculinos versus femininos. Sumarizando o argumento dela, a categorização dos sexos biológicos ocorre por meio de caracteres dismórficos, que são pronunciadamente dicotômicos. Se aplicarmos os mesmos critérios que usamos para classificar genitálias aos cérebros, fica claro que cérebros nem de longe correspondem à dicotomia das genitálias. Isso por óbvio não decide questões sobre genética versus não-genética. Os cérebros poderiam ser muito mais dicotomizados do que são, e isso poderia ocorrer por conta da socialização diferenciada também. Mas o fato deles serem menos dicotomizados do que se poderia pensar sugere que as diferenças genéticas em comportamento estão muito mais ligadas à genética pessoal do que a genética relativa ao sexo ao qual se pertence, como já tínhamos razão para pensar.

Fundamentalmente os seres humanos são pessoas, independente da categoria natural sexo biológico e da categoria social do gênero, e devem ser tratados como pessoas, não como homens versus mulheres. Mas essas categorias naturais e sociais são muito relevantes, tanto para explicar o que ocorre em nossas sociedades, como também para descobrirmos como modificar aquilo que é indesejável.

Referências:

BANDURA, Albert. Social Learning Theory. 1971. (http://www.jku.at/org/content/e54521/e54528/e54529/e178059/Bandura_SocialLearningTheory_ger.pdf)

BRITO JÚNIOR, Valdenor Monteiro. A psicologia evolucionária não implica que homens preferem mais o sexo que as mulheres. 2014. (https://libertarianismoedarwinismo.wordpress.com/2014/11/10/a-psicologia-evolucionaria-nao-implica-que-homens-preferem-mais-o-sexo-que-as-mulheres/)

BRITO JÚNIOR, Valdenor Monteiro. Mulheres com múltiplos parceiros sexuais e as hipóteses darwinistas sobre o acasalamento. 2015. (https://libertarianismoedarwinismo.wordpress.com/2015/01/04/mulheres-com-multiplos-parceiros-sexuais-e-as-hipoteses-darwinistas-sobre-o-acasalamento/)

BUSS, David M.; SCHMITT, David P. Sexual Strategies Theory: An Evolutionary Perspective on Human Mating. 1993. (http://www.bradley.edu/dotAsset/165805.pdf)

DAPHNA, Joel et al. Sex beyond the genitalia: The human brain mosaic. 2015. (http://www.pnas.org/content/112/50/15468.short)

DAPHNA, Joel et al. Reply To Del Giudice Et Al., Chekroud Et Al., And Rosenblatt: Do brains of females and males belong to two distinct populations? 2016a. (http://people.socsci.tau.ac.il/mu/daphnajoel/files/2016/03/Response_to_Del-Guidice_Chekroud_Rosenblatt2016.pdf)

DAPHNA, Joel et al. Why differences between brains of females and brains of males do not “add up” to create two types of brains. 2016b. (http://people.socsci.tau.ac.il/mu/daphnajoel/files/2016/03/Joel_PNAS2016_reply_to_Glezerman.pdf)

FUNK, Carolyn et al. Genetic and Environmental Transmission of Political Orientations. 2013. (http://faculty.ucmerced.edu/sites/default/files/mhibbing/files/funk_et_al._2013_0.pdf)

FUNK, Carolyn et al. Genetic and Environmental Transmission of Political Attitudes Over a Life Time. 2009. (http://www.procon.org/sourcefiles/genetic-and-environmental-transmission-of-political-attitudes-over-a-life-time.pdf)

HAIDT, Jonathan et al. Liberals Think More Analytically (More “WEIRD”) Than Conservatives. 2014. (http://psp.sagepub.com/content/41/2/250)

HAIDT, Jonathan et al. Liberals and Conservatives Rely on Different Sets of Moral Foundations. 2009. (http://www-bcf.usc.edu/~jessegra/papers/GrahamHaidtNosek.2009.Moral%20foundations%20of%20liberals%20and%20conservatives.JPSP.pdf)

HATEMI, Peter K. et al. Genetic Influences on Political Ideologies: Twin Analyses of 19 Measures of Political Ideologies from Five Democracies and Genome-Wide Findings from Three Populations. 2014. (http://www.as.miami.edu/personal/cklofstad/22_behavior_genetics.pdf)

HENRICH, Joseph et al. Five Misunderstandings About Cultural Evolution. 2008. (http://link.springer.com/article/10.1007/s12110-008-9037-1)

HIRSH, Jacob B. et al. Compassionate Liberals and Polite Conservatives: Associations of Agreeableness With Political Ideology and Moral Values. 2009. (http://www.tc.umn.edu/~cdeyoung/Pubs/Hirsh_2010_A_politics_PSPB.pdf)

HYDE, Janet S.; PETERSEN, Jennifer L. A meta-analytic review of research on gender differences in sexuality, 1993-2007. 2010. (https://www.wmich.edu/sites/default/files/attachments/u58/2015/Sex_Differences1.pdf)

JOST, John T. et al. The Secret Lives of Liberals and Conservatives: Personality Profiles, Interaction Styles, and the Things They Leave Behind. 2008. (http://www.psych.nyu.edu/jost/Carney,%20Jost,%20&%20Gosling%20(2008)%20The%20secret%20lives%20of%20liberals%20.pdf)

KHALIDI, Muhammad Ali. Natural Categories and Human Kinds: Classification in the Natural and Social Sciences. 2015. (http://www.cambridge.org/us/academic/subjects/philosophy/philosophy-science/natural-categories-and-human-kinds-classification-natural-and-social-sciences?format=PB)

MALLON, Ron. Naturalistic Approaches to Social Construction. 2013. (http://plato.stanford.edu/entries/social-construction-naturalistic/#WhaCons)

MACE, Ruth; JORDAN, Fiona M. Macro-evolutionary studies of cultural diversity: a review of empirical studies of cultural transmission and cultural adaptation. 2011. (http://rstb.royalsocietypublishing.org/content/royptb/366/1563/402.full.pdf)

MASON, Rebecca. Social Kinds, Mind-Dependence, and Anti-Realism. Draft, 2016. (http://www.remason.org/research.html)

MULDER, Monique Borgerhoff et al. Bateman’s principles and human sex roles. 2009. (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3096780/)

REILLY-COOPER, Rebecca. Sex And Gender: A Beginner’s Guide. (Section: Gender) 2015. (https://sexandgenderintro.com/gender/)

WOOD, W.; EAGLY, A. H. Biosocial construction of sex differences and similarities in behavior. In M. P. Zanna & J. M. Olson (Eds.), Advances in Experimental Social Psychology. 2012. (https://dornsife.usc.edu/assets/sites/545/docs/Wendy_Wood_Research_Articles/Gender_Differences_in_Social_Behavior/wood.eagly.2012.Advances.pdf)

WOOD, W.; EAGLY, A. H. The Origins of Sex Differences in Human Behavior: Evolved Dispositions Versus Social Roles. 1999. (https://dornsife.usc.edu/assets/sites/545/docs/Wendy_Wood_Research_Articles/Evolutionary_Origins_of_Mens_and_Womens_Behavior/Eagly_Wood_1999_the_origins_of_human_sex_differences.pdf)

WILSON, David Sloan. Evolutionary Social Constructivism. In: J. Gottschall and D.S. Wilson, The Literary Animal: evolution and the nature of narrative. 2005. (http://evolution.binghamton.edu/dswilson/wp-content/uploads/2010/01/DSW05.pdf)

Uma resposta em “Gênero é construção social – mas a biologia importa também

  1. Pingback: Mais sobre gênero e construção social | Tabula (não) Rasa & Libertarianismo Bleeding Heart

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s